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Chefs à frente de restaurantes que chegaram ao topo da gastronomia mundial, pioneiros em técnicas que influenciaram cozinhas em diferentes países e profissionais reconhecidos por trabalhos ligados à biodiversidade e à sustentabilidade estarão no Paraná entre os dias 6 e 10 de novembro. Os nomes integram a 16ª reunião anual do Conselho Internacional do Basque Culinary Center, que terá a chef brasileira Manu Buffara como anfitriã. A programação passará por Curitiba e pelo Parque Nacional do Iguaçu, onde o Conselho se reunirá no Hotel das Cataratas, A Belmond Hotel, único hotel do Brasil localizado dentro do parque nacional.
A lista reúne Joan Roca, Michel Bras, Dominique Crenn, Pía León, Narda Lepes, Elena Reygadas, Trine Hahnemann e Josh Niland, além de representantes da gastronomia brasileira, como Alex Atala, Rodrigo Bellora, Felipe Cavalcanti e Pedro Soares. Para além da presença de nomes reconhecidos internacionalmente, o encontro colocará em discussão questões que atravessam a cadeia da alimentação, como sustentabilidade, aproveitamento de ingredientes, biodiversidade, cultura, território e o futuro dos sistemas alimentares.
Entre os destaques está o espanhol Joan Roca, chef do El Celler de Can Roca, em Girona, projeto que mantém com os irmãos Josep e Jordi Roca. O restaurante conquistou três estrelas Michelin e foi eleito o melhor do mundo pelo The World’s 50 Best Restaurants em 2013 e 2015. A cozinha de Joan combina tradição, pesquisa, ciência e técnicas contemporâneas. O chef também teve papel relevante na difusão da cocção a baixa temperatura e mantém uma frente dedicada à pesquisa, inovação, formação e criatividade.
Outro nome de peso é o francês Michel Bras, cuja influência atravessa diferentes gerações da alta gastronomia. Bras ficou conhecido especialmente por uma cozinha conectada à natureza e aos vegetais. Entre suas criações mais emblemáticas está o gargouillou, prato elaborado com ervas, folhas, flores e vegetais que se tornou referência para cozinheiros interessados em uma relação mais direta entre gastronomia, paisagem e sazonalidade.
A francesa Dominique Crenn, radicada em São Francisco, também chega ao Brasil com um marco histórico no currículo. Em 2018, tornou-se a primeira mulher nos Estados Unidos a conquistar três estrelas Michelin, com o Atelier Crenn. O restaurante havia recebido a primeira estrela em 2011 e a segunda em 2012, quando Crenn já havia se tornado a primeira mulher chef a alcançar duas estrelas no país. Em 2021, recebeu ainda o Icon Award do The World’s 50 Best Restaurants. Sua cozinha explora memória, identidade e narrativa a partir do conceito que a própria chef define como uma abordagem poética da gastronomia.
América Latina terá algumas de suas principais vozes femininas
Do Peru vem Pía León, chef do Kjolle, em Lima, e uma das profissionais latino-americanas de maior projeção internacional. Depois de uma década como chef de cozinha do Central, León inaugurou o Kjolle, em 2018, para desenvolver uma interpretação própria da megadiversidade peruana. Naquele mesmo ano, foi reconhecida como a melhor chef mulher da América Latina e, em 2021, recebeu o título de The World’s Best Female Chef. Em 2025, o Kjolle chegou à 9ª posição do The World’s 50 Best Restaurants e à segunda colocação na lista latino-americana.
A argentina Narda Lepes, do Narda Comedor, em Buenos Aires, acrescenta ao encontro uma trajetória diretamente ligada à alimentação saudável e à valorização dos vegetais. Eleita Latin America’s Best Female Chef em 2020, a cozinheira também se tornou conhecida por questionar a centralidade da carne na alimentação argentina. Seu restaurante trabalha com produtos sazonais e fornecedores responsáveis e já adotou iniciativas como a compra de safras de produtores locais, a redução de resíduos e a contratação e capacitação de mulheres com mais de 60 anos.
Já a mexicana Elena Reygadas, chef e proprietária do Rosetta, na Cidade do México, foi eleita The World’s Best Female Chef em 2023, depois de receber o reconhecimento equivalente da América Latina em 2014. Sua atuação está associada à biodiversidade mexicana, à valorização de ingredientes locais e à produção sustentável. Reygadas também criou um programa de bolsas destinado a jovens mexicanas que estudam gastronomia, com o objetivo de ampliar oportunidades e fortalecer a presença feminina em posições de liderança no setor.
Josh Niland transformou o aproveitamento de peixes em tema global
Um dos trabalhos mais diretamente associados aos debates atuais sobre desperdício e aproveitamento integral é o do australiano Josh Niland, chef do Saint Peter, em Sydney. Conhecido pela abordagem fin-to-gill — conceito semelhante ao nose-to-tail, mas aplicado aos pescados —, Niland utiliza técnicas normalmente associadas às carnes, como maturação a seco e charcutaria, além de explorar vísceras e outras partes dos peixes tradicionalmente descartadas.
A proposta extrapolou o restaurante e ganhou projeção internacional ao demonstrar como cozinhas profissionais podem ampliar o uso integral dos pescados. Seu livro The Whole Fish Cookbook conquistou dois James Beard Awards em 2020, incluindo o de Livro do Ano. Mais recentemente, Fish Butchery recebeu o James Beard Award de livro profissional de restaurante em 2024. O trabalho alia sustentabilidade e economia ao mostrar como partes antes tratadas como resíduos podem ser transformadas em ingredientes.
A dinamarquesa Trine Hahnemann, por sua vez, leva ao Conselho uma trajetória ligada à cozinha sazonal, à cultura alimentar escandinava e às soluções sustentáveis. Com mais de duas décadas de experiência e mais de 20 livros de culinária publicados, desenvolve projetos relacionados a ingredientes da estação, refeições cotidianas, cultura gastronômica e alimentação sustentável.
Para Manu Buffara, anfitriã da edição brasileira e integrante do Conselho Internacional, receber profissionais com trajetórias tão distintas representa uma oportunidade de aproximar o debate internacional da realidade brasileira. “É uma honra receber o Conselho Internacional do Basque Culinary Center e abrir as portas de Curitiba, uma região que reflete a diversidade e o espírito comunitário do Brasil. Este encontro permitirá colaborar de forma efetiva, compreender o que estamos construindo como setor e aprofundar o entendimento sobre o propósito das nossas ações. Tenho certeza de que quem estiver conosco levará não apenas aprendizados e reflexões, mas também uma conexão genuína com esta cidade e com a energia que move sua gastronomia”, afirma a chef.
Evento aberto ao público reúne chefs internacionais em Curitiba
No dia 8 de novembro, o público poderá acompanhar parte da programação no Memorial de Curitiba. Batizado de “Gastronomia, Identidade e Transformação”, o evento terá palestras, mesas-redondas e sessões de show cooking, reunindo diferentes perspectivas sobre os caminhos da alimentação e da gastronomia contemporânea.
A passagem pelo Brasil terá ainda outro momento de repercussão internacional: a escolha do vencedor da 11ª edição do Basque Culinary World Prize. Criado pelo Governo Basco e pelo Basque Culinary Center, o prêmio reconhece chefs que utilizam a gastronomia como instrumento de transformação para além da cozinha e já foi descrito pela imprensa como o “Nobel da Gastronomia”.
Em 2026, o Conselho Internacional chega à sua 16ª reunião anual. Ao longo dos últimos 15 anos, os encontros passaram por destinos como Nova York, São Paulo, Lima, Cidade do México, Modena, São Francisco, Girona e Tóquio, promovendo discussões sobre sustentabilidade, biodiversidade, formação de talentos e transformação do setor gastronômico.
SERVIÇO
16ª reunião anual do Conselho Internacional do Basque Culinary Center – Brasil 2026
Data: 06 a 10/11/2026
Locais: Curitiba e Parque Nacional do Iguaçu, Paraná
EVENTO - Gastronomia, Identidade e Transformação – evento aberto ao público
Data: 08/11/2026
Local: Memorial de Curitiba
Programação: palestras, mesas-redondas e sessões de show cooking
Horário: informação não fornecida
Ingressos/inscrições: Sympla

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