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O mesmo grão de café pode apresentar aromas, sabores, corpo e intensidade diferentes dependendo da forma como é preparado. Isso acontece porque cada método de extração determina como a água entra em contato com o café, por quanto tempo permanece em contato e quais compostos são extraídos durante o processo. Na prática, a escolha do método pode favorecer determinadas características do grão e transformar a percepção da bebida na xícara. Moagem, temperatura da água, proporção entre café e água e tempo de extração também interferem diretamente nesse resultado.
“Quando se muda o método, não necessariamente se muda o café. O que muda é a forma como suas características são extraídas e percebidas. Um mesmo grão pode apresentar uma bebida mais limpa e delicada em um método filtrado e ganhar mais corpo e textura quando preparado por infusão, por exemplo”, explica Silvana Buzzi, CEO da Sterna Café, rede especializada em cafés especiais e que trabalha com diferentes métodos de preparo em suas unidades pelo país.
Entre os métodos mais conhecidos está o Hario V60, que tem formato cônico, ranhuras internas e uma abertura ampla na parte inferior, características que permitem maior controle sobre o fluxo da água durante a preparação. Com o filtro de papel, o método tende a produzir uma bebida de maior clareza, favorecendo a percepção de aromas, acidez e notas mais delicadas do grão. A Chemex também utiliza filtro de papel, mas seu modelo é mais espesso e retém uma quantidade maior de óleos e partículas, geralmente resultando em uma xícara leve e limpa, na qual as características aromáticas do café ganham destaque.
A prensa francesa segue outra dinâmica. O café permanece em contato com a água durante o período de infusão e, posteriormente, é separado por um filtro metálico. Como o filtro não retém os óleos da mesma maneira que o papel, uma quantidade maior desses componentes chega à xícara, contribuindo para uma bebida com mais corpo e textura.
A relação entre método de preparo e cafeína também passa pelo tempo de extração. “A cafeína é um composto hidrossolúvel, ou seja, sua concentração aumenta conforme o café permanece em contato com a água. Por isso, métodos de infusão, como a prensa francesa, podem favorecer uma maior extração do composto quando comparados a preparos de contato mais rápido” completa Daniela Zaminiani, nutricionista da rede Sterna Café.
Na AeroPress, a combinação entre imersão, filtragem e pressão manual permite trabalhar com diferentes receitas, variando fatores como moagem, tempo de contato com a água e pressão aplicada. Por isso, o equipamento pode produzir desde cafés mais leves até bebidas mais concentradas. Apesar de poder resultar em uma bebida de maior intensidade, a AeroPress não utiliza a mesma pressão de uma máquina profissional de espresso.
O Koar também permite explorar diferentes características sensoriais. Seu desenho, com ranhuras que conduzem o fluxo da água, interfere na velocidade da extração e pode contribuir para uma bebida equilibrada, com percepção de doçura e corpo, dependendo da receita e do café utilizado. Já o Clever combina a infusão com a filtragem por papel. A válvula localizada na base mantém a água em contato com o café e libera a bebida somente quando o equipamento é colocado sobre a xícara. O resultado tende a reunir parte do corpo associado aos métodos de imersão com a limpeza proporcionada pelo filtro.
Para quem escolhe um método de preparo em uma cafeteria, conhecer essas diferenças ajuda a entender o que pode chegar à xícara e por que dois cafés preparados de maneiras distintas podem proporcionar experiências tão diferentes.
O resultado, no entanto, não depende apenas do equipamento. A origem do grão, a variedade, o processamento, o perfil de torra, a moagem, a qualidade da água e a própria receita utilizada também participam da extração. “Não existe um método que seja melhor para todos os cafés ou para todos os paladares. A escolha depende tanto das características do grão quanto do resultado que se pretende destacar. Conhecer as diferenças entre os métodos ajuda o consumidor a entender por que o mesmo café pode apresentar experiências tão diferentes de acordo com o preparo”, finaliza Silvana.

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