quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Carnaval 2026: enquanto a folia ocupa as ruas, um resíduo perigoso exige atenção

 

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O Carnaval movimenta música, pessoas e a economia das cidades, mas também gera resíduos que ficam longe dos holofotes do público. Um deles é o Óleo Lubrificante Usado ou Contaminado (OLUC), resíduo resultante do desgaste do óleo lubrificante utilizado em motores após longos períodos de operação. Exemplificando, o OLUC é aquele óleo preto que sai dos motores, mais comumente dos carros e motos, quando é realizada a troca em postos de combustíveis, concessionárias ou oficinas. Caso não receba a destinação correta, o OLUC representa um risco ambiental significativo, especialmente em eventos urbanos de grande porte, como o carnaval, que por conta dos trios elétricos, possui um grande potencial gerador do resíduo.

Para dimensionar esse impacto, a estimativa é que apenas a edição de 2026 do carnaval de Salvador/BA gere cerca de 12 mil litros de OLUC, considerando exclusivamente a operação dos trios elétricos e dos veículos de apoio que atuam nos circuitos oficiais da cidade. O volume chama atenção não só pela escala, mas pelo seu potencial de impacto: um único litro de OLUC pode contaminar até 1 milhão de litros de água. Na prática, isso significa que os 12 mil litros gerados durante a festa teriam capacidade de contaminar o equivalente a 109 vezes o volume do Dique do Tororó, um dos principais mananciais naturais de Salvador.

O cálculo tem como base dados do Detran-BA, que estima a circulação de 200 veículos autorizados para operar como trios elétricos durante o evento na capital baiana. A logística do Carnaval de Salvador impõe uma alta demanda operacional. Nos principais circuitos, como Barra-Ondina e Osmar (Campo Grande), cada um dos 200 veículos percorre cerca de 27 quilômetros ao longo dos seis dias de festa. Somados, esses deslocamentos chegam a aproximadamente 5.400 quilômetros rodados, o equivalente a uma viagem de ida e volta entre Salvador e Buenos Aires.

Diferentemente do combustível, que é consumido ao longo do trajeto, o óleo lubrificante não se perde gradualmente: ele precisa ser totalmente substituído após ciclos intensos de uso, uma característica típica do Carnaval, marcado por longas horas de funcionamento contínuo, baixa velocidade e elevado estresse térmico dos motores.

Na prática, um trio elétrico de grande porte opera com motores de alta cilindrada tanto para tração quanto para geração de energia. Em média, o motor do caminhão consome cerca de 40 litros de óleo lubrificante, enquanto os geradores responsáveis pelo som e pela iluminação exigem aproximadamente 20 litros adicionais. Ao todo, são cerca de 60 litros por veículo. Aplicada à frota estimada, essa média resulta nos 12 mil litros de OLUC gerados ao longo dos seis dias de festa.

Classificado como resíduo perigoso, o OLUC deve, por força da legislação ambiental brasileira, ser obrigatoriamente destinado ao rerrefino, processo que evita a contaminação do solo, do ar e dos recursos hídricos. “Eventos de grande porte, como o Carnaval, deixam claro que sustentabilidade também passa pela gestão dos resíduos gerados nos bastidores. O OLUC precisa ser tratado como prioridade ambiental, porque, quando destinado corretamente, deixa de ser um risco e passa a ser um recurso para a economia circular”, afirma João Vianney, diretor de coleta da Lwart Soluções Ambientais.

Além do desafio ambiental, nesse contexto, o destino correto do OLUC se torna estratégico: quando coletado adequadamente, o resíduo deixa de ser um passivo ambiental e se transforma em óleo básico, matéria-prima para novos lubrificantes, em um processo realizado pela Lwart que reinsere o recurso na cadeia produtiva e contribui para a redução da dependência do petróleo.

felipe@pressaporter.com.br  

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