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O mesmo grão de café pode apresentar aromas, sabores, corpo e intensidade diferentes dependendo da forma como é preparado. Isso acontece porque cada método de extração determina como a água entra em contato com o café, por quanto tempo permanece em contato e quais compostos são extraídos durante o processo. Na prática, a escolha do método pode favorecer determinadas características do grão e transformar a percepção da bebida na xícara. Moagem, temperatura da água, proporção entre café e água e tempo de extração também interferem diretamente nesse resultado.
“Quando se muda o método, não necessariamente se muda o café. O que muda é a forma como suas características são extraídas e percebidas. Um mesmo grão pode apresentar uma bebida mais limpa e delicada em um método filtrado e ganhar mais corpo e textura quando preparado por infusão, por exemplo”, explica Silvana Buzzi, CEO da Sterna Café, rede especializada em cafés especiais e que trabalha com diferentes métodos de preparo em suas unidades pelo país.
Entre os métodos mais conhecidos está o Hario V60, que tem formato cônico, ranhuras internas e uma abertura ampla na parte inferior, características que permitem maior controle sobre o fluxo da água durante a preparação. Com o filtro de papel, o método tende a produzir uma bebida de maior clareza, favorecendo a percepção de aromas, acidez e notas mais delicadas do grão. A Chemex também utiliza filtro de papel, mas seu modelo é mais espesso e retém uma quantidade maior de óleos e partículas, geralmente resultando em uma xícara leve e limpa, na qual as características aromáticas do café ganham destaque.
A prensa francesa segue outra dinâmica. O café permanece em contato com a água durante o período de infusão e, posteriormente, é separado por um filtro metálico. Como o filtro não retém os óleos da mesma maneira que o papel, uma quantidade maior desses componentes chega à xícara, contribuindo para uma bebida com mais corpo e textura.














