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A Copa do Mundo de 2026 deve impulsionar o movimento em bares e restaurantes brasileiros. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), 52% dos estabelecimentos pretendem transmitir os jogos e, entre eles, 80% esperam aumento de faturamento em relação aos dias sem partidas. Destes, 59% projetam crescimento de até 20% nas vendas. O período ganha ainda mais relevância porque coincide com as férias escolares de julho, o aumento do fluxo turístico em diversas regiões do país e a maior demanda por delivery, formando uma das janelas mais importantes do ano para o foodservice.
Marcelo Marani, professor, empresário do foodservice e fundador da escola “Donos de Restaurantes”, afirma que o setor vive uma oportunidade rara de fortalecer o caixa e criar condições para enfrentar os meses tradicionalmente mais desafiadores do segundo semestre. Segundo ele, o potencial do período vai muito além da Copa.
"Durante muitos anos os empresários olhavam apenas para datas isoladas. Hoje, junho e julho funcionam praticamente como uma temporada de consumo. Copa, férias, turismo e aumento da circulação de pessoas criam uma concentração de demanda que pode representar um dos períodos mais relevantes do ano para o faturamento dos restaurantes", afirma.
O cenário é reforçado por outros indicadores. No Dia dos Namorados deste ano, 83% dos bares e restaurantes esperavam faturar mais do que em uma noite comum, segundo a Abrasel. Em São Paulo, 67% dos empresários do setor projetavam crescimento na receita da data. Já o turismo doméstico segue em expansão. Dados do Ministério do Turismo mostram que as viagens nacionais registraram crescimento ao longo de 2025, movimento que tende a beneficiar bares, restaurantes e operações de alimentação em destinos turísticos durante as férias de julho.
Na avaliação de Marani, o principal erro é acreditar que o aumento do movimento garante lucro automaticamente.
"Existe uma diferença enorme entre vender mais e ganhar mais dinheiro. Muitos restaurantes trabalham muito durante períodos como esse, aumentam o faturamento, mas terminam o mês sem melhorar a margem porque não planejaram estoque, equipe, compras e operação."
A oportunidade também alcança negócios que atuam exclusivamente no delivery. Em dias de jogos importantes, especialmente envolvendo a Seleção Brasileira, muitos estabelecimentos registram aumento significativo nos pedidos, criando uma demanda adicional para cozinhas, logística e atendimento.
"O consumidor não precisa estar dentro do restaurante para movimentar o setor. Em muitos casos, ele assiste ao jogo em casa e pede refeições, bebidas e combos para compartilhar. Isso faz com que o delivery também participe diretamente desse ciclo de consumo."
Como transformar demanda em lucro
Segundo Marani, os restaurantes que conseguem aproveitar melhor esse período costumam adotar algumas medidas simples, mas estratégicas. Entre elas estão a redução da complexidade do cardápio, o reforço dos itens mais vendidos, a criação de ofertas específicas para dias de jogos, o estímulo às reservas antecipadas e ações para aumentar o ticket médio.
Outra preocupação deve ser a fidelização dos clientes conquistados durante o período.
"Junho e julho podem trazer pessoas que nunca frequentaram o restaurante. Se o empresário não captar esses contatos e não criar estratégias para que elas retornem depois, perde uma oportunidade valiosa de transformar uma venda pontual em recorrência."
Ainda dá tempo de aproveitar julho
Mesmo para quem não conseguiu se planejar para a Copa ou para o Dia dos Namorados, julho ainda oferece oportunidades importantes. As férias escolares aumentam a circulação de famílias, turistas e consumidores em horários diferentes dos habituais, criando novas possibilidades de venda.
Segundo Marani, o empresário não precisa fazer grandes investimentos para capturar parte dessa demanda.
"Quem deixou para a última hora deve focar em medidas de impacto rápido. Simplificar o cardápio, reforçar os produtos mais rentáveis, organizar escalas de trabalho, melhorar a comunicação nas redes sociais e ativar a base de clientes pelo WhatsApp são ações que podem gerar resultado em poucos dias."
Outra recomendação é criar ofertas específicas para o período de férias.
"Combos familiares, promoções para grupos, menus compartilháveis e ações voltadas para crianças costumam funcionar muito bem em julho porque atendem diretamente ao perfil de consumo desse período."
O que fazer para o cliente voltar depois
Para Marani, o maior erro dos restaurantes é encarar junho e julho apenas como uma oportunidade de venda imediata.
"O verdadeiro ganho acontece quando o restaurante consegue transformar um cliente ocasional em cliente recorrente. É isso que gera estabilidade financeira durante os meses mais fracos."
Entre as estratégias recomendadas pelo especialista estão a captura de contatos dos clientes, programas de relacionamento e ações de pós-venda.
"Todo restaurante deveria sair desse período com uma base maior de clientes para trabalhar nos meses seguintes. Quem coleta contatos, cria campanhas de retorno e mantém relacionamento ativo pelo WhatsApp ou pelas redes sociais consegue reduzir a dependência de datas sazonais."
Segundo ele, oferecer benefícios para uma próxima visita também pode aumentar significativamente a taxa de retorno.
"Um voucher para utilização futura, uma sobremesa de cortesia na próxima visita ou vantagens para clientes cadastrados são exemplos simples que ajudam a criar recorrência."
Marani também recomenda que os empresários utilizem julho para identificar seus melhores clientes.
"Os restaurantes mais rentáveis não são necessariamente os que recebem mais pessoas. São os que conseguem fazer o cliente voltar várias vezes ao longo do ano. Junho e julho são excelentes momentos para iniciar esse relacionamento."
Para o especialista, o desempenho dos próximos meses poderá influenciar diretamente a saúde financeira dos restaurantes ao longo do restante do ano.
"A Copa atrai atenção, mas o verdadeiro resultado será definido pela gestão. Os restaurantes que conseguirem transformar esse aumento temporário de demanda em caixa, fidelização e eficiência operacional chegarão ao segundo semestre muito mais preparados. Os que apenas acompanharem o movimento terão mais trabalho, mas não necessariamente mais lucro", conclui..
Sobre Marcelo Marani
Marcelo Marani é fundador e CEO da Donos de Restaurantes, uma das principais escolas para donos de restaurantes da América Latina. Professor formado em Ciência da Computação, com mestrado em Administração de Empresas, defendeu em 2007 uma tese que mostrava que 70% dos donos de restaurantes não trabalham com qualquer tipo de fidelização.
Empresário, sócio de mais de 10 empresas do foodservice, com um faturamento de R$28MM em 2025, tem mais 27 anos de experiência no mercado de alimentação e é considerado um dos maiores especialistas em gestão e aumento de faturamento para restaurantes do Brasil.
Marani é autor do livro Transforme o seu Restaurante em um Negócio Milionário, da editora Gente. É também host do podcast mais escutado no Brasil para donos de restaurantes. Foi apresentador de TV, no programa Café com Chef da Band domingo de manhã.
Já treinou mais de 35 mil empresários, em 23 capitais do Brasil, e já fez trabalhos em Portugal e na Argentina. Para mais informações, visite o Instagram ou pelo site.

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