quarta-feira, 1 de julho de 2026

Dupla poda transforma o interior paulista em referência nacional de vinhos de inverno

 

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O inverno marca um dos períodos mais importantes para a vitivinicultura brasileira. Graças à técnica da dupla poda, que permite transferir a maturação e a colheita das uvas para os meses mais secos e frios do ano, regiões produtoras passaram a alcançar níveis de qualidade comparáveis aos dos principais terroirs do mundo. Mais do que uma inovação agrícola, a técnica vem impulsionando o turismo, fortalecendo a gastronomia regional e criando novas oportunidades de desenvolvimento econômico.

Atualmente, os chamados vinhos de inverno representam um dos segmentos mais dinâmicos da vitivinicultura nacional. Desenvolvida a partir de pesquisas brasileiras por pesquisadores da Epamig, a técnica já é adotada por dezenas de produtores e contribui para a produção de rótulos cada vez mais reconhecidos pela qualidade, complexidade aromática e potencial de guarda.

Para Leodir Ribeiro, presidente do Roteiro do Vinho de São Roque e sócio da Alma Galiza, a dupla poda se tornou um divisor de águas para o setor.

"A dupla poda elevou o patamar da vitivinicultura brasileira. Ela nos permitiu produzir vinhos de alta qualidade em regiões que hoje se destacam nacionalmente e, ao mesmo tempo, criou uma nova dinâmica para o turismo. O visitante quer conhecer os vinhedos, acompanhar a colheita e entender o processo produtivo. Isso beneficia toda a cadeia econômica da região", afirma.

Fundada em 2019 e localizada na Fazenda Bagadá, em São Roque, a mais de mil metros de altitude, a Alma Galiza é um dos exemplos dessa transformação. A vinícola possui atualmente 14 rótulos em seu portfólio e cultiva variedades como Albariño, Tempranillo, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Syrah, Tannat, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Moscato Giallo e Lorena.

Segundo Ribeiro, a busca constante por qualidade tem sido um dos pilares da estratégia da vinícola.

"A dupla poda nos permite trabalhar com uma matéria-prima de excelência, aproveitando as condições climáticas mais favoráveis do inverno. Isso se reflete diretamente na qualidade dos vinhos e na competitividade dos nossos produtos."

A produção da Alma Galiza deve alcançar cerca de 30 mil garrafas em 2026, consolidando uma trajetória de crescimento de 30% nos últimos anos. O desempenho acompanha a expansão do mercado de vinhos de inverno no Brasil e o reconhecimento crescente dos rótulos produzidos sob esse sistema.

Além dos resultados no campo, a dupla poda vem ampliando a relevância econômica do enoturismo. A Alma Galiza oferece experiências como visitas aos vinhedos, degustações, restaurante, hospedagem, piqueniques e eventos corporativos e sociais, fortalecendo sua conexão com o turismo regional.

"O consumidor busca cada vez mais conhecer a origem do produto e se conectar com quem produz. Essa aproximação agrega valor ao vinho, fortalece as marcas regionais e gera benefícios para toda a cadeia do turismo", afirma Leodir.

A qualidade dos rótulos produzidos pela vinícola também vem ganhando reconhecimento. Desde o início da participação em concursos, os vinhos já começaram a conquistar medalhas, como na 1ª Seleção de Vinhos BRS Lorena 2025, promovida pela Embrapa Uva e Vinho, e no Concurso de Bruxelas. Esses resultados reforçam o potencial dos vinhos produzidos no interior paulista e a competitividade do terroir regional.

Para Leodir Ribeiro, o avanço dos vinhos de inverno demonstra como inovação, conhecimento técnico e valorização do território podem transformar economias regionais.

"A dupla poda permitiu ao Brasil produzir vinhos de excelência e, ao mesmo tempo, criar um novo vetor de desenvolvimento. Hoje, o vinho movimenta turismo, gastronomia, hotelaria e pequenos negócios, fortalecendo a economia regional e posicionando o interior paulista entre os principais destinos de enoturismo do país", conclui.

paula@afontecomunica.com.br  

   

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