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Muito além de acompanhar o feijão-tropeiro ou marcar presença no churrasco, a linguiça tem conquistado espaço em propostas que evidenciam seu potencial na cozinha contemporânea. Em diferentes regiões de Minas Gerais, chefs apostam no ingrediente como protagonista de entradas, pratos principais e receitas que valorizam tanto o sabor quanto a tradição, sem deixar de lado o trabalho dos produtores artesanais.
No Casulo, em Lapinha da Serra, a linguiça caseira é a base de um risoto servido com ora-pro-nóbis e pimenta-biquinho. Para a equipe do restaurante, o ingrediente vai muito além de um embutido. "A linguiça caseira é um dos pratos mais importantes aqui na comunidade da Lapinha. Não tinha como não usá-la em um de nossos pratos. Ela é fundamentalmente importante, pois é uma forma de aproveitar o porco caipira em sua totalidade depois do abate. Além de beneficiar a carne, a linguiça caseira carrega a identidade de onde é produzida. É a receita e o tempero que ajudam a definir a identidade culinária de tantas regiões de Minas Gerais."
A qualidade da receita também faz diferença. "Uma boa linguiça precisa ser comedida no alho, não ter muita gordura e ser temperada de um jeito em que o sabor da carne fale por si. Para isso, é importante evitar excessos de sal e de temperos."
Na Cozinha Santo Antônio, a chef Ju Duarte decidiu inverter a lógica e colocar a linguiça no centro do prato. Na sugestão do dia, ela é servida em rodelas, acompanhada de purê de batatas, molho Robert, mostarda e tomates picantes.
A escolha foi pela linguiça artesanal produzida por Bebeto, conhecido como "Bebeto sem WhatsApp". "Ela é especial porque é feita sem conservantes, de forma artesanal, com todo cuidado e higiene. O tempero é super equilibrado e delicado, com o sal no ponto e a pimenta bem ao fundo. Combina com o nosso estilo de comida."













