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sexta-feira, 20 de junho de 2025

Produtos "sem lactose" podem agravar sintomas, alerta nutricionista

 

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 O consumo de alimentos rotulados como “sem lactose” pode não ser a solução definitiva para quem apresenta desconforto digestivo após ingerir leite. Em alguns casos, esses produtos podem até agravar os sintomas. O alerta é da nutricionista, pesquisadora e CEO do Scanner da Saúde, Aline Quissak, que propõe uma investigação mais profunda das causas da intolerância e defende uma abordagem funcional individualizada. “Nem toda intolerância é permanente. Muitas vezes, o problema está no intestino, não no leite”, explica a especialista.

Estudos indicam que cerca de 70% da população adulta brasileira apresenta algum grau de dificuldade para digerir a lactose, açúcar presente no leite. Embora fatores genéticos influenciem essa capacidade — com destaque para variações nos genes MCM6 e LCT —, a predisposição não determina, necessariamente, uma condição definitiva. Segundo Aline, a intolerância pode ser provocada por inflamações intestinais, desequilíbrios da microbiota, dieta inadequada, estresse e uso prolongado de antibióticos. Nesses casos, os sintomas tendem a ser reversíveis com a recuperação da barreira intestinal e a reeducação alimentar.

A nutricionista também destaca que produtos “sem lactose” — feitos a partir do leite comum com adição da enzima lactase — podem conter proteínas desnaturadas e aditivos que irritam ainda mais uma mucosa intestinal já fragilizada. “Pacientes com o intestino inflamado muitas vezes não respondem bem a esses alimentos. E exames como o coprológico funcional podem revelar déficits digestivos que mimetizam a intolerância, como o da amilase fecal, enzima essencial para a digestão de carboidratos”, explica.

Hoje, existem estratégias para auxiliar na digestão da lactose e no reequilíbrio intestinal. Cepas probióticas específicas têm demonstrado eficácia. Essas bactérias ajudam a reduzir a inflamação, melhorar a digestão e modular a resposta imunológica local. “É possível reconstruir a tolerância ao leite. O foco deve estar na saúde intestinal, não apenas na exclusão alimentar. A saúde intestinal é regulada por uma microbiota diversa e funcional. Certas cepas probióticas têm a capacidade de degradar a lactose e modular a inflamação intestinal, favorecendo a tolerância alimentar”, reforça Aline.