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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Herança gastronômica: Brocojó conquista visitantes do Santuário do Caraça

 

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Muito mais que um lugar para descansar e aproveitar as belezas da natureza, o Santuário do Caraça oferece muito mais que as matas exuberantes, águas refrescantes e religiosidade. As maravilhas gastronômicas do local são uma atração à parte para o turista, que tem a oportunidade de saborear e conhecer a história de diversos pratos. Uma das iguarias que mais chama a atenção é o Brocojó, pão produzido na cozinha do Caraça e que virou marca registrada, não só pelo sabor, mas também por sua herança cultural e gastronômica que carrega.

O Brocojó é uma receita que mistura farinha, muitos ovos e alguns segredos. De acordo com o gerente geral do Santuário do Caraça, Márcio Mol, o pão é uma adaptação do brioche francês, ajustada aos temperos e ingredientes da região. “O sabor incomparável, a casca crocante e o aspecto rústico são características marcantes deste pão. A iguaria atravessou gerações seguindo o mesmo modo de fazer de antigamente. Apesar de sua história vir do passado, o gostinho da tradição está sempre presente na padaria do Santuário”, destaca o gerente.

Segundo os registros, a riqueza gastronômica do Caraça se fez presente há mais de 200 anos. Por isso, para aproveitar os cereais mais comuns da região, a farinha virou uns dos principais ingredientes da cozinha do Santuário. O item compôs receitas que resultavam em pães, bolos e biscoitos para alimentação dos padres, seminaristas e alunos. Com o fim do colégio, esse conhecimento quase se desfez. Mas, estas delícias foram resgatadas em 2015, por meio do projeto “Primórdios da Culinária Mineira”, do Santuário do Caraça, em parceria com Senac MG, que tem o objetivo de resgatar e dar novos usos a hábitos, técnicas e produtos alimentares dos primeiros habitantes de Minas Gerais, com foco no desenvolvimento regional.

De acordo com Márcio Mol, em dias de festa no Colégio do Caraça, o Brocojó era assado com uma fava de feijão dentro, e então, usado para fazer um sorteio entre os oito alunos que dividiam cada “quadrado” da mesa coletiva. O aluno que saía com a fava se tornava o “rei do quadrado” e ganhava algumas vantagens com isso, como poder ser o primeiro a servir a refeição e até se sentar à mesa dos padres e professores.