sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Viagens corporativas devem crescer 13,8% no Brasil em 2026 com foco no valor estratégico de cada conexão

 

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A viagem corporativa está voltando a crescer, mas a lógica que orienta esse movimento mudou. Em vez de ampliar o número de deslocamentos, empresas estão mais preocupadas em entender quais viagens efetivamente contribuem para resultados de negócio. Encontros com clientes, negociações, integração de equipes e decisões estratégicas passam a justificar o deslocamento presencial em um cenário no qual a tecnologia permite que boa parte das interações aconteça à distância.

Esse foi o ponto de partida do primeiro Kontik Insights 2026, realizado pela Kontik Business Travel, empresa do Grupo Kontik, em São Paulo, no dia primeiro de setembro, que reuniu executivos do setor para discutir os impactos da inteligência artificial, a evolução da experiência do viajante e o papel das relações humanas em um mercado cada vez mais digital. 

O movimento acontece em um cenário de expansão das viagens corporativas, mas com um crescimento cada vez mais associado ao valor gerado por cada deslocamento. Segundo dados apresentados durante o Kontik Insights, o mercado global de viagens corporativas deve movimentar US$1,71 trilhão em 2026, com alta de 7,2% nos gastos, enquanto o número de transações deve avançar apenas 1,3%.

No Brasil, o ritmo projetado é ainda maior: crescimento de 13,8%, acima dos 11,7% esperados para a América Latina. O cenário reforça uma mudança na dinâmica do setor: mais do que aumentar a quantidade de viagens, empresas estão buscando entender quais deslocamentos fazem sentido para o negócio, e, nesse processo, o viajante ganha importância como ponto central da tomada de decisão.

“A presença constrói confiança. Tem negociação que exige olho no olho”, afirmou a apresentadora e Mestre de Cerimônias, Sheila Magalhães, na abertura do encontro. A provocação introduziu uma discussão que atravessou o evento: em um cenário de crescente digitalização das relações e dos processos de viagem, quais são os momentos em que estar presente continua fazendo diferença, e como a tecnologia pode potencializar, em vez de substituir, esse valor?

É a partir dessa perspectiva que Alexandre Castro, CEO da Kontik Business Travel (KBT), defende a aproximação entre as tendências globais e a realidade das empresas brasileiras. “O que está sendo discutido no mundo precisa ser traduzido para os desafios concretos das empresas brasileiras. As viagens seguiram construindo valor em um mundo mais conectado, e agora precisamos entender como a tecnologia pode ampliar esse valor.”

A mudança de comportamento também aparece dentro do próprio Grupo Kontik. Durante o encontro, Fernando Vasconcellos, CEO do grupo, apresentou a evolução da companhia e a estratégia de expansão apoiada em tecnologia, novos executivos e integração entre negócios.

Entre os exemplos está a TOOU, plataforma de tecnologia do grupo, que alcançou R$100 milhões em vendas no ano. A solução se tornou um dos principais focos da estratégia tecnológica da companhia. 

Nos últimos meses, o Grupo Kontik também reforçou sua estrutura executiva com a chegada de Eduardo Bernardes, CEO da Konvia, Renata Maluf, diretora geral da Zupper e Peterson Prado, CEO da Kontrip, e ampliou sua oferta de serviços com a integração com a Dragonpass.

A viagem precisa provar seu valor

A discussão sobre crescimento do mercado também mudou de eixo. Para Julliane Cortez, Líder de Vendas LATAM - FCM, e Cecília Herculino, Diretora de Relacionamento da Kontik Business Travel, a retomada das viagens corporativas está menos relacionada ao aumento indiscriminado de deslocamentos e mais à realização de viagens estratégicas, conectadas a KPIs de negócio.

A lógica se aplica também aos encontros presenciais. Em um ambiente no qual reuniões podem ser realizadas por videoconferência e negociações podem avançar remotamente, o deslocamento precisa ter uma razão clara.

Nesse cenário, a inteligência artificial aparece como uma ferramenta complementar para otimizar o trabalho e tornar a jornada mais eficiente. O avanço da tecnologia permite automatizar tarefas, organizar informações e antecipar necessidades, mas seu uso precisa estar orientado à melhoria do dia a dia das pessoas, tanto de quem viaja quanto de quem trabalha na gestão dessas viagens.

“Quanto mais a empresa investe em inteligência artificial, mais precisa investir também em alinhamento”, foi uma das provocações apresentadas durante o encontro. O argumento é que a tecnologia pode ampliar a capacidade de análise e tomada de decisão, mas não elimina a necessidade de definir objetivos claros para cada deslocamento.

Nesse cenário, o viajante passa a ocupar uma posição central. A tecnologia deve reduzir etapas, antecipar problemas e personalizar a experiência, mas sem transformar o passageiro em apenas mais um dado dentro de um sistema.

Para Rafael Milagre, especialista em tecnologia, essa discussão pode ser resumida em uma pergunta: “Qual problema estou resolvendo para o meu cliente?”

A resposta passa pela hiperpersonalização. Com inteligência artificial e análise de dados, empresas conseguem compreender melhor comportamentos e preferências e utilizar essas informações para criar experiências mais adequadas. Do lado dos negócios, a mesma tecnologia pode contribuir para aumento de receita e redução de custos.

O limite da automação é humano

A discussão ganhou outra dimensão com a participação de Sabina Deweik, palestrante, educadora e colunista, que levou ao debate uma questão menos tecnológica: o que acontece quando uma sociedade hiperconectada passa a ter menos conexões humanas?

A executiva chamou atenção para o crescimento da solidão e para o uso de ferramentas de inteligência artificial em interações de natureza emocional, pois a tecnologia consegue simular uma conversa, mas não possui emoção ou experiência humana.

A questão ganha relevância para o setor de turismo porque viajar continua sendo uma experiência baseada em encontros. E, mesmo com sistemas cada vez mais sofisticados, existem situações em que o contato humano continua sendo decisivo.

Esse foi também o argumento central do painel que reuniu Daniel Milagres, Chief Traveller Happiness Officer do Grupo Kontik. Para os participantes, a tecnologia já é capaz de resolver uma parcela crescente dos problemas cotidianos do viajante, mas situações críticas ainda demandam pessoas.

Um voo cancelado é um exemplo. A inteligência artificial pode identificar o problema, sugerir alternativas e automatizar parte da solução. Mas, diante de uma situação complexa, ter alguém para conversar pode ser tão importante quanto encontrar rapidamente um novo voo.

A próxima etapa, portanto, não está apenas na automação de tarefas, mas na integração da jornada. Se um sistema sabe que determinado voo chegará atrasado, por exemplo, pode antecipar o impacto sobre o transporte terrestre, a hospedagem e outros serviços.

Hotéis, por sua vez, podem utilizar informações sobre o viajante para a discussão levantada durante o encontro aponta para uma direção: a IA deve ser usada para ampliar a capacidade humana, resolver problemas, antecipar necessidades, personalizar experiências e liberar tempo, e não para eliminar a dimensão humana de uma atividade cujo valor, muitas vezes, nasce justamente do encontro entre pessoas.

De acordo com o CEO da KBT, o encontro ocorre em um momento importante de transformação no setor. “Precisamos discutir as mudanças e as melhorias que podemos oferecer aos viajantes. Trouxemos esse debate para o Kontik Insights porque essas respostas devem ser construídas com o apoio da tecnologia, mas também a partir de um olhar humano”, finaliza.

Para levar a discussão mais adiante, o Kontik Insights chegará também a Fortaleza, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, e Porto Alegre, nos dias 9, 15, 16 e 17 de setembro, respectivamente.

 

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