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O Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, deixou de ser apenas uma ocasião de compra de presentes e também passou a concentrar comemorações dentro de casa. Em 2026, 45% dos consumidores pretendem celebrar a data na própria residência e outros 12% na casa de parentes, segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil. O levantamento estima ainda que a data movimente R$18,11 bilhões no varejo brasileiro.
Para Felipe Noronha, CEO e sócio da Doce Magia, rede de confeitaria artesanal com sete unidades próprias em São Paulo, o movimento cria espaço para empresas de alimentação ampliarem a oferta para além dos produtos voltados exclusivamente às crianças.
“O Dia das Crianças não termina na entrega do presente, muitas famílias aproveitam a data para almoçar juntas, receber parentes ou criar algum momento especial dentro de casa. Para uma confeitaria, isso muda a leitura da ocasião, podemos ter um doce pensado para a criança, mas também uma sobremesa que vai para o centro da mesa e participa da comemoração de toda a família”, afirma Noronha.
O levantamento da CNDL e do SPC Brasil mostra que 74% dos consumidores das capitais pretendem comprar presentes neste ano, com gasto médio estimado em R$ 308 e 2,3 itens por comprador. A motivação é majoritariamente afetiva: 32% dizem que compram para ver a criança feliz, enquanto 22% relacionam a decisão ao hábito de presentear pessoas de quem gostam.
Para negócios de alimentação, a comemoração em família cria diferentes ocasiões de consumo. Um doce pode funcionar como lembrança individual, enquanto bolos, sobremesas maiores e caixas com diferentes itens atendem encontros familiares ou celebrações realizadas em casa.
A compra infantil começa na criança mas não termina nela
Na avaliação de Noronha, empresas que trabalham com datas comemorativas precisam entender que nem toda decisão de compra é guiada apenas por quem receberá o produto.
No caso do Dia das Crianças, o apelo visual e o sabor atraem os pequenos, mas tamanho, preço, praticidade e possibilidade de compartilhamento pesam na escolha dos adultos.
“A criança influencia muito a decisão, principalmente quando reconhece um sabor, uma cor ou uma apresentação que desperta interesse. Mas quem compra está pensando também no restante da família, na quantidade de pessoas e no quanto pretende gastar. Quando a empresa entende essas duas perspectivas, consegue construir uma oferta mais completa sem necessariamente aumentar demais o cardápio”, explica.
O preço também entra nessa decisão. Segundo o empresário, trabalhar com diferentes tamanhos e formatos permite atender consumidores com disponibilidades de gasto distintas. Produtos individuais, pequenas combinações e sobremesas maiores permitem que uma mesma empresa atenda desde quem busca uma lembrança até quem pretende reunir várias pessoas.
“Não existe um único jeito de comemorar, uma família pode querer levar dois doces para casa, enquanto outra procura uma sobremesa para dividir entre dez pessoas. Ter essas alternativas ajuda o consumidor a escolher de acordo com a ocasião e com o orçamento, sem transformar a celebração em uma obrigação de gasto elevado”, afirma o CEO.
A sobremesa passa a disputar espaço com o presente
Essa mudança de perspectiva também altera a forma como uma confeitaria se prepara para a data. Em vez de concentrar toda a estratégia em produtos temáticos, a empresa pode analisar itens já conhecidos pelos clientes e identificar quais deles têm potencial para atender encontros familiares.
Segundo Noronha, essa decisão tende a ser mais simples do ponto de vista operacional. “Nem sempre é necessário criar dez produtos novos para uma data comemorativa. Às vezes, o consumidor já conhece determinados sabores e quer apenas uma apresentação adequada à ocasião. Trabalhar com produtos que já fazem parte do cardápio reduz complexidade e permite manter um padrão de qualidade mesmo quando o movimento aumenta”, explica.
O empresário ressalta que produtos para compartilhar também exigem planejamento específico de demanda. Tamanho das porções, conservação, transporte e capacidade de reposição nas lojas passam a fazer parte dessa conta.
“Datas comemorativas ampliam o movimento, mas não permitem improvisação. Precisamos entender quanto cada unidade costuma vender, quais produtos têm maior saída e como fazer a reposição sem gerar sobra. A comemoração pode acontecer em família, mas, para a empresa, ela começa muito antes, no planejamento da produção”, ressalta Noronha.
Para o executivo, o Dia das Crianças mostra como uma data tradicionalmente associada à compra de presentes pode gerar também ocasiões de consumo coletivo. A oportunidade está menos em transformar todo o cardápio em uma linha infantil e mais em entender como os produtos podem participar dos momentos que as famílias já pretendem criar.
Para as confeitarias, a mudança amplia a disputa pelo orçamento da data. O desafio deixa de ser apenas criar um produto infantil e passa a incluir a capacidade de atender diferentes ocasiões, tamanhos de família e faixas de gasto sem aumentar desnecessariamente a complexidade da operação.
Sobre Felipe Noronha
Felipe Noronha é CEO e sócio da Doce Magia, rede de confeitaria artesanal com mais de 30 anos de atuação no Alto Tietê, em São Paulo. Ele lidera o atual ciclo de transformação da empresa, conduzindo o processo de profissionalização, estruturação e expansão da marca.
À frente do negócio, atua na padronização de processos, no desenvolvimento de lideranças e na ampliação da capacidade produtiva, com a implantação de uma nova fábrica. Também conduz a expansão geográfica, com a recente abertura de unidades em Guarulhos e São Bernardo do Campo.
Como porta-voz, defende o crescimento com consistência operacional e preservação da essência da marca, com foco na experiência do cliente.
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