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Viajar deixou de ser apenas conhecer um destino. Cada vez mais, os brasileiros buscam experiências capazes de gerar memórias, promover conexões culturais e proporcionar momentos únicos. Essa mudança de comportamento tem impulsionado o chamado turismo de experiência, um dos segmentos que mais cresce no mercado e que vem transformando a atuação das agências de viagens.
Na Clube Turismo, uma das maiores redes de franquias de agências de viagens do Brasil, o movimento é percebido diariamente. Segundo a rede, os clientes estão cada vez menos interessados em roteiros prontos e mais dispostos a investir em viagens personalizadas, que reflitam seus interesses, estilo de vida e propósito.
Para Ana Virgínia Falcão, CEO e cofundadora da Clube Turismo, essa transformação representa uma mudança definitiva na forma de viajar.
"Percebemos que essa não é apenas uma tendência, mas uma nova maneira de enxergar o turismo. O viajante não quer apenas saber quanto custa uma viagem, mas o que ela será capaz de proporcionar. As pessoas querem viver histórias, criar memórias e voltar para casa transformadas."
Segundo a executiva, esse novo perfil também valoriza cada vez mais o papel do agente de viagens.
"A internet consegue apresentar milhares de destinos, mas é o consultor quem entende o perfil do cliente e transforma essa inspiração em uma experiência personalizada. É justamente essa curadoria que os sites de viagens não conseguem entregar."
Vivências substituem roteiros tradicionais
No turismo de experiência, o destino deixa de ser o protagonista e dá lugar às vivências.
Em vez de apenas visitar monumentos ou cumprir roteiros tradicionais, os viajantes buscam participar da cultura local, conhecer comunidades, experimentar a gastronomia típica, aprender novas habilidades e viver momentos exclusivos.
Entre as experiências que mais despertam interesse estão preparar uma massa artesanal com uma família italiana, participar da colheita da uva na Serra Gaúcha, observar a aurora boreal na Noruega, fazer um passeio de balão na Capadócia, conhecer comunidades ribeirinhas na Amazônia ou realizar um safári na África.
"São experiências que criam lembranças muito mais duradouras do que uma fotografia. O valor da viagem passa a estar naquilo que a pessoa vive e sente durante o percurso", destaca Ana Virgínia.
Gastronomia, natureza e grandes eventos lideram a procura
A Clube Turismo observa crescimento em diferentes nichos do turismo de experiência.
A gastronomia segue entre as principais motivações de viagem, assim como o enoturismo, o turismo de natureza, aventura, bem-estar, espiritualidade e cultura. Também cresce a procura por viagens motivadas por festivais de música, eventos esportivos internacionais e grandes celebrações culturais.
Outro comportamento que chama atenção é o aumento das viagens multigeracionais, reunindo avós, pais e netos em roteiros voltados à construção de memórias em família.
Brasil reúne alguns dos destinos mais procurados
O Brasil também ganha protagonismo entre os viajantes que buscam experiências autênticas.
A Amazônia, Pantanal, Chapada Diamantina, Jalapão, Lençóis Maranhenses, Serra Gaúcha e Fernando de Noronha aparecem entre os destinos nacionais mais procurados por oferecerem contato direto com a natureza, a cultura e as tradições locais.
No exterior, Islândia e Noruega atraem turistas interessados na aurora boreal; África do Sul, Tanzânia e Quênia se destacam pelos safáris; Japão pelas experiências culturais; Portugal, Itália e França pela gastronomia e pelo enoturismo; Peru pelo patrimônio histórico; além da Capadócia, na Turquia, conhecida pelas paisagens e pelos voos de balão.
Mais do que visitar esses lugares, explica Ana Virgínia, os viajantes desejam compreender sua história, seus costumes e sua identidade.
Luxo perde espaço para significado
O comportamento do consumidor também mudou quando o assunto é investimento na viagem.
Embora conforto e boa hospedagem continuem importantes, eles deixaram de ser o principal fator de decisão. Em muitos casos, os viajantes preferem direcionar parte do orçamento para experiências exclusivas.
"Hoje percebemos que muitos clientes preferem investir em uma experiência única do que concentrar todo o orçamento em uma hospedagem de luxo. As pessoas estão buscando significado nas viagens."
Redes sociais inspiram, mas consultoria faz a diferença
As redes sociais ampliaram o interesse por destinos pouco conhecidos e ajudaram a popularizar o turismo de experiência. No entanto, segundo a CEO da Clube Turismo, o comportamento do consumidor também amadureceu.
"O viajante não quer apenas reproduzir uma fotografia famosa. Ele quer viver aquela experiência de forma verdadeira. É nesse momento que a consultoria especializada faz toda a diferença para transformar inspiração em uma viagem segura, personalizada e bem planejada."
Esse cenário também impulsiona a procura por roteiros sob medida. Cada vez mais, os franqueados da Clube Turismo atuam como consultores, construindo itinerários personalizados de acordo com os interesses, orçamento e expectativas de cada cliente.
Turismo movimenta economias locais e fortalece a sustentabilidade
Além de proporcionar experiências mais autênticas, esse modelo também gera impactos positivos para os destinos.
Ao contratar guias locais, consumir produtos regionais, visitar pequenos produtores e participar de atividades desenvolvidas pelas comunidades, o viajante contribui para a distribuição de renda e para a preservação do patrimônio cultural e ambiental.
"Também entendemos que nosso papel é orientar os passageiros a valorizarem os destinos, respeitarem a cultura local e se integrarem às experiências oferecidas pelas comunidades. Desenvolvimento econômico e sustentabilidade precisam caminhar juntos."
Personalização será o grande diferencial do setor
Para os próximos anos, a expectativa da Clube Turismo é de crescimento contínuo do turismo de experiência, impulsionado pela personalização, pelo turismo de natureza, bem-estar, gastronomia, cultura e pelo chamado slow travel, modelo em que o viajante permanece mais tempo no destino para conhecê-lo com profundidade.
Embora a inteligência artificial deva ampliar a capacidade de personalização dos roteiros, Ana Virgínia acredita que o fator humano continuará sendo indispensável.
"A tecnologia ajuda a organizar informações e ganhar eficiência, mas compreender sonhos continua sendo uma capacidade humana. No fim das contas, uma viagem não é medida apenas pelos quilômetros percorridos, mas pelas histórias que levamos de volta para casa."

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