segunda-feira, 16 de março de 2026

Moradia flexível avança em meio ao ajuste do mercado e empresa fecha o ano com R$ 27 milhões em receita

 

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Depois de anos marcados por crescimento rápido e entrada de novos operadores, o mercado brasileiro de moradia flexível começa a passar por um processo de ajuste. Juros elevados, maior escrutínio regulatório e expectativas mais realistas de retorno têm pressionado modelos pouco estruturados e favorecido empresas com escala e histórico de performance. É nesse contexto que a Xtay, plataforma brasileira de estadias flexíveis, encerrou 2025 com receita de R$ 27 milhões, alta de 69% em relação a 2024, e mais de 700 unidades sob gestão em diferentes regiões do país.

Ao longo de 2025, a empresa ampliou sua operação de cerca de 400 para mais de 700 unidades, enquanto a receita mensal avançou da casa dos R$ 2 milhões no início do ano para mais de R$ 3 milhões em novembro. No mesmo período, o volume de reservas e check-ins mais que dobrou, impulsionado principalmente pelo aumento da ocupação em mercados como São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraíba.

Para Gabriel Fumagalli, CEO e cofundador da Xtay, os números refletem uma mudança estrutural no setor. “O mercado está entrando em uma fase mais madura. Depois de um ciclo intenso de lançamentos de studios e crescimento acelerado, 2026 tende a ser um ano de ajuste, em que eficiência operacional, histórico de performance e modelo de produto passam a pesar mais do que promessas de rentabilidade”, afirma.

O desempenho da Xtay acompanha uma transformação mais ampla no mercado brasileiro de moradia e hospedagem urbana. Dados do IBGE indicam que a consolidação dos modelos de trabalho remoto e híbrido tem alterado a dinâmica de ocupação nas grandes cidades, reduzindo a lógica da moradia fixa tradicional e ampliando a busca por soluções flexíveis, que combinem residência, mobilidade e contratos menos rígidos. Esse movimento tem sustentado a demanda por estadias de curta, média e longa permanência em centros urbanos.

Ao mesmo tempo, o turismo urbano segue como um vetor relevante de ocupação. Segundo o Ministério do Turismo, as estadias em cidades continuam entre os principais motores da recuperação do setor no pós-pandemia, impulsionadas por viagens corporativas, processos de relocação profissional e permanências mais longas, um perfil que foge do turismo sazonal e exige operação profissionalizada, padronização e gestão eficiente dos ativos.

Esse cenário também coincide com uma reorganização do mercado imobiliário. Com o custo de capital ainda elevado, investidores passaram a revisar projeções de retorno e a priorizar modelos com maior previsibilidade de receita e gestão centralizada. O avanço do debate regulatório sobre locações de curta duração em grandes cidades tem pressionado operações pulverizadas e reforçado a vantagem competitiva de plataformas com escala, tecnologia e histórico comprovado.

Para esse ano, a estratégia da Xtay prioriza aprofundar ganhos de eficiência e avançar em um reposicionamento do modelo de negócio. A empresa mantém lançamentos previstos para o primeiro semestre, como o IP Alto do Ipiranga, em São Paulo, e os empreendimentos Oxford e Cambridge, em Itajaí (SC), mas direciona parte relevante dos esforços para a operação de prédios inteiros.

“O modelo de studios pulverizados, da forma como foi produzido até aqui, começa a mostrar sinais claros de saturação. Nosso foco passa a ser a gestão centralizada de ativos completos, criando uma categoria mais previsível, escalável e com experiência consistente para o hóspede e para o investidor”, conclui Fumagalli.

João Machado

 

 

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