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O chocolate, um símbolo afetivo para milhões de brasileiros, tornou‑se vítima de uma crise global que escancara a fragilidade da cadeia do cacau. Em apenas dois anos, a tonelada da amêndoa saltou 190%, chegando ao recorde de US$ 11.040 em dezembro de 2024, com picos de até 282% no ano, consequência direta do colapso nas lavouras da África Ocidental, responsável por 70% da produção mundial. Em Gana, por exemplo, 81% das plantações foram tomadas por uma virose, reduzindo drasticamente a oferta e pressionando preços.
No Brasil, o cenário também é preocupante: a produção caiu 18,5% em 2024, somando 179 mil toneladas, embora o consumo interno demandasse 229 mil toneladas. Com essa equação impossível, a indústria recorreu a medidas silenciosas e polêmicas. As barras diminuíram, o teor de cacau caiu, e gorduras vegetais passaram a ocupar o espaço da manteiga de cacau. Multiplicaram‑se produtos “sabor chocolate”, autorizados quando o teor fica abaixo dos 25% mínimos exigidos. O resultado está no paladar, você já notou, menos cacau, mais gordura e açúcar?
Até tradições foram afetadas. A produção de ovos de Páscoa despencou 22,4%, a diminuição foi de 58 milhões para 45 milhões de unidades, enquanto consumidores migraram para chocolates premium e bombons, que já representam 67,3% das compras, em busca de qualidade que não encontram mais nas versões populares.
