terça-feira, 15 de setembro de 2026

Balneário Camboriú: verticalização e clima litorâneo ampliam desafios com umidade nos imóveis

 

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Balneário Camboriú está entre os mercados imobiliários mais valorizados do Brasil. Em julho de 2026, o preço médio anunciado dos imóveis residenciais na cidade chegou a R$ 15.295 por metro quadrado, o terceiro maior entre as 56 cidades acompanhadas pelo Índice FipeZAP. 

Em uma cidade marcada pela verticalização, pela proximidade com o mar e pela presença de imóveis destinados tanto à moradia quanto ao turismo e à temporada, preservar as condições dos ambientes internos envolve um fator nem sempre perceptível: o comportamento da umidade ao longo do ano. 

A combinação entre umidade externa elevada, variações de temperatura, climatização e imóveis que permanecem fechados durante determinados períodos pode criar condições favoráveis à condensação, ao aparecimento de mofo e à deterioração gradual de materiais. 

Os primeiros sinais podem ser discretos. Vidros embaçados, gotículas nas esquadrias, odor característico, manchas em paredes ou sensação de ambiente abafado podem indicar excesso de umidade. Com o tempo, a exposição contínua pode afetar móveis, marcenaria, revestimentos, roupas, documentos, equipamentos eletrônicos, obras de arte e outros materiais sensíveis. 

“Em cidades litorâneas, a umidade não deve ser tratada apenas quando aparecem mofo ou condensação. Ela precisa entrar na discussão sobre projeto, uso e manutenção do imóvel. Entender as condições ambientais ajuda a preservar materiais, reduzir intervenções futuras e melhorar as condições dos espaços internos”, afirma Leandro Nahas, gerente de Engenharia da Thermomatic do Brasil. 

Arquitetura e engenharia precisam olhar para o mesmo problema 

Um dos fenômenos que merece atenção é a condensação. Ela pode ocorrer quando o ar com elevada concentração de vapor de água encontra superfícies com temperaturas mais baixas, como vidros, esquadrias, paredes, lajes e componentes dos sistemas de climatização. 

Por isso, o controle da umidade não depende de uma única solução. Orientação solar, desempenho térmico de fachadas, especificação dos vidros e esquadrias, isolamento, climatização, renovação e circulação de ar são fatores que interferem no comportamento do ambiente. 

Essa análise ganha importância em apartamentos, hotéis, escritórios e condomínios que possuem ambientes com diferentes características de ocupação e uso, como quartos, closets, adegas, lavanderias, áreas administrativas, salas de reunião e espaços de lazer. 

Para arquitetos e engenheiros, considerar essas condições ainda na fase de projeto permite antecipar pontos críticos e avaliar soluções antes que problemas de condensação ou excesso de umidade apareçam após a ocupação. 

Umidade também é uma questão de qualidade do ar e a preocupação vai além da conservação dos materiais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) relaciona a presença persistente de umidade e crescimento de mofo em edificações à maior prevalência de sintomas respiratórios, alergias e asma. 

Por isso, evitar condições favoráveis à formação de mofo deve fazer parte dos cuidados com a qualidade do ar interno, principalmente em locais com permanência prolongada de pessoas, como residências, hotéis, escritórios e outros ambientes fechados. 

As condições adequadas de umidade variam conforme o tipo de ambiente, sua utilização, temperatura, ventilação e características construtivas. Mais importante do que estabelecer um único percentual para todas as situações é avaliar cada aplicação de maneira técnica. 

Piscinas aquecidas exigem atenção específica 

Em hotéis, condomínios, clubes, academias e residências com piscinas aquecidas cobertas, o desafio é ainda mais específico. 

A evaporação da água introduz vapor continuamente no ambiente. Sem um controle adequado, a umidade pode se acumular e condensar em fachadas de vidro, esquadrias, paredes, forros, lajes e estruturas. 

“O efeito pode começar com um vidro embaçado ou com pequenas gotículas de água. Quando essa condição se repete continuamente, porém, pode contribuir para a deterioração de revestimentos, componentes metálicos e outros elementos construtivos, aumentando a necessidade de manutenção”, explica Nahas. 

Além do vapor de água, piscinas tratadas com cloro apresentam outra variável que precisa ser considerada: as cloraminas. Esses compostos podem se formar a partir da reação do cloro com substâncias presentes na água e passar para o ar. 

Em ambientes fechados com ventilação inadequada, as cloraminas podem se acumular próximas à superfície da piscina e causar desconforto e irritação nos olhos e no sistema respiratório. Por isso, renovação e circulação adequadas do ar precisam ser consideradas em conjunto com o controle da umidade. 

Segundo Emiliano Rocha, engenheiro e especialista em projetos de climatização para piscinas indoor, essa análise deve começar antes da execução do projeto. “Piscinas aquecidas em ambientes fechados geram uma carga permanente de umidade. Se o sistema não for dimensionado corretamente, a condensação pode aparecer em pontos críticos, molhar forros, escorrer por paredes e acelerar a degradação dos materiais”, explica. 

Entre as variáveis que precisam ser avaliadas estão a área da piscina, a temperatura da água, a ocupação prevista, o pé-direito, as condições climáticas da região, o desempenho térmico da envoltória, a quantidade de superfícies envidraçadas e a forma como o ar circula pelo ambiente. 

Outro conceito importante nesse tipo de projeto é o ponto de orvalho, temperatura a partir da qual o vapor de água presente no ar começa a se condensar. Na prática, se uma superfície — como uma fachada de vidro ou uma esquadria — atingir uma temperatura inferior ao ponto de orvalho do ambiente, pode ocorrer formação de gotículas e escorrimento de água mesmo sem existir infiltração. 

Hotelaria: conforto do hóspede e conservação caminham juntos 

Em Balneário Camboriú, onde turismo, hospedagem e mercado imobiliário estão diretamente ligados à dinâmica da cidade, o tema também interessa à operação hoteleira. 

Quartos fechados durante determinados períodos, lavanderias, áreas administrativas, depósitos, piscinas cobertas e ambientes climatizados apresentam necessidades diferentes. Identificar pontos com excesso de umidade antes que apareçam mofo, odores ou danos aos materiais pode contribuir para a conservação do empreendimento e para a experiência dos hóspedes. 

Em hotéis, sinais aparentemente pequenos podem se tornar perceptíveis para quem utiliza o ambiente. Odor de mofo, sensação de abafamento, manchas em paredes, condensação nos vidros ou danos em móveis e revestimentos podem interferir na percepção de limpeza, conservação e conforto. 

Nesse contexto, a gestão da umidade passa a fazer parte não apenas da manutenção predial, mas também da operação e da qualidade dos espaços oferecidos aos hóspedes. 

A umidade excessiva também pode impactar a reputação e os custos operacionais do empreendimento. Em um mercado cada vez mais influenciado por avaliações online, comentários em redes sociais e recomendações de outros viajantes, problemas percebidos nos quartos ou nas áreas comuns podem repercutir diretamente na experiência relatada pelos hóspedes. 

Um ambiente sem odor de mofo, com enxoval seco, mobiliário conservado e condições internas confortáveis reforça a percepção de limpeza, cuidado e hospitalidade. Por outro lado, a exposição frequente à umidade pode aumentar a necessidade de manutenção, antecipar a substituição de materiais e, em situações mais severas, levar à indisponibilidade temporária de quartos. 

Além dos impactos sobre a conservação e a operação, a umidade excessiva também pode favorecer condições para o desenvolvimento de mofo, fungos e ácaros. “Quando há menos umidade disponível no ambiente, esses agentes encontram condições menos favoráveis para se desenvolver. O controle pode contribuir para a redução de gatilhos respiratórios e alérgicos, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com histórico de alergias ou doenças respiratórias”, explica a Dra. Luize Pereira, médica especialista em Pneumologia Pediátrica no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie. 

Ambientes com presença recorrente de mofo podem provocar irritação nos olhos, nariz, garganta e vias respiratórias, além de agravar quadros preexistentes, como rinite e asma. Em estabelecimentos que recebem públicos com diferentes condições de saúde, o cuidado com o ambiente interno também se torna parte da qualidade da hospedagem. 

Projetar antes pode evitar intervenções mais complexas 

Para arquitetos, construtoras e incorporadoras, o controle da umidade começa antes da instalação de qualquer equipamento. 

Especificação adequada de vidros e esquadrias, isolamento térmico, seleção de materiais compatíveis com as condições do ambiente, circulação de ar, climatização e previsão para drenagem de condensados são algumas das decisões que podem ajudar a reduzir riscos. 

Quando o comportamento da umidade é avaliado somente depois da conclusão da obra, as possibilidades de intervenção podem se tornar mais limitadas, complexas e onerosas. 

A escolha da solução de desumidificação também depende da aplicação. Em residências, apartamentos, quartos de hotel, escritórios e áreas administrativas, os equipamentos podem trabalhar de forma complementar à climatização. Piscinas aquecidas e áreas maiores, por sua vez, podem demandar projetos específicos de desumidificação, circulação e renovação do ar. 

“Preservar um imóvel não significa apenas cuidar daquilo que está visível. Temperatura, umidade e qualidade do ar também interferem no desempenho dos ambientes. Quando esses fatores são considerados desde o projeto e acompanhados durante a operação, é possível reduzir problemas e ampliar a vida útil de materiais e equipamentos”, conclui Nahas. 

Em uma cidade verticalizada, litorânea e com forte presença do turismo e do mercado imobiliário, o controle da umidade tende a ocupar um espaço cada vez maior nas discussões sobre desempenho das edificações. Mais do que uma medida corretiva contra o mofo, trata-se de uma variável a ser considerada por quem projeta, constrói, administra e utiliza esses espaços. 

@thermomatic.com

 

 

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