VISITE O NOSSO INSTAGRAM: https://ww.instagram.com/
A trajetória da Baudelaire Cookies começou em Apucarana (PR), longe de cozinhas industriais, planos de expansão ou investimentos estruturados. Em 2019, quando os fundadores Giovani Tosi e Júnior Broiato ainda eram estudantes de Letras, a produção de cookies dividia espaço com a rotina pessoal - literalmente. O primeiro freezer usado para armazenar os produtos ficava dentro do quarto de Júnior, encostado à cama onde ele dormia.
Sem capital inicial e buscando uma renda complementar, os dois testaram diferentes produtos da confeitaria, como bolos e doces gelados. O retorno do público, no entanto, foi direto desde o início: o interesse se concentrava nos cookies. A partir dessa leitura prática do mercado, decidiram direcionar totalmente a produção e a comunicação para esse produto.
As primeiras vendas aconteceram de forma artesanal e direta, principalmente pelas redes sociais, em uma cidade de porte médio no norte do Paraná. Enquanto negócios locais ainda utilizavam o Instagram de forma esporádica e institucional, a Baudelaire apostou em presença constante, linguagem simples e exposição da rotina real de produção.
Das feiras locais à formalização do negócio
A marca começou a ganhar visibilidade ao participar de feiras universitárias e eventos locais. Em uma dessas feiras, mais estruturada e com apoio do poder público, os fundadores tiveram contato com profissionais que auxiliaram no processo de formalização da operação, abertura de CNPJ e entendimento de aspectos fiscais e administrativos do negócio.
O evento também revelou um dado decisivo: a barraca da Baudelaire manteve fila do início ao fim da feira, mesmo diante de imprevistos operacionais. A experiência evidenciou o potencial de escala e levou à decisão de abrir a primeira loja física.
As primeiras lojas e o aprendizado na prática
A abertura do ponto comercial ocorreu sem cenário ideal. O espaço era pequeno, os equipamentos improvisados e o mesmo freezer que antes ficava no quarto precisou ser levado para a loja - mesmo apresentando falhas, como a porta que não fechava completamente. Ainda assim, a operação seguiu, acompanhada de ajustes diários e aprendizado constante.
Com poucos meses de funcionamento e já em meio à pandemia, os fundadores decidiram reformular o espaço e a identidade visual da marca, entendendo que o posicionamento precisava evoluir junto com o negócio. A loja passou por mudanças estéticas e, posteriormente, por uma ampliação significativa, saindo de cerca de 20 metros quadrados para um ponto maior, com mais estrutura e capacidade de atendimento.
Atualmente, a Baudelaire Cookies possui duas lojas físicas no Paraná: em Apucarana, cidade onde a marca nasceu, consolidando a operação inicial e a comunidade local; e em Londrina, aberta após o crescimento orgânico da marca e o aumento da demanda regional, especialmente impulsionado pelas redes sociais.
Esse movimento - sair de uma cidade média para um polo urbano maior - foi estratégico e marcou a transição da Baudelaire de um negócio local estruturado para uma marca com ambição regional e leitura mais madura de mercado.
Redes sociais como extensão da operação
Paralelamente às lojas físicas, a presença digital se intensificou. A produção diária de vídeos, especialmente no TikTok, tornou-se parte central da estratégia. Sem roteiros elaborados ou edição sofisticada, os conteúdos mostravam a rotina das lojas, os bastidores da produção, erros operacionais e desafios financeiros - sempre narrados pelo próprio Júnior.
A repetição do formato e a exposição consistente da realidade criaram reconhecimento espontâneo. O alcance cresceu gradualmente, assim como o fluxo de clientes. Em determinado momento, passou a ocorrer um movimento inverso ao comum no varejo regional: antes da abertura da segunda loja, consumidores de cidades maiores, como Londrina, começaram a se deslocar até Apucarana exclusivamente para conhecer a loja da Baudelaire Cookies.
Quando a marca atravessa a tela
A identificação com a marca extrapolou o ambiente digital. Em um episódio simbólico desse vínculo, Júnior foi reconhecido apenas pela voz ao ligar para agendar uma consulta médica. A atendente associou imediatamente a narração ao perfil da Baudelaire, que acompanhava com frequência nas redes sociais.
A coerência entre o que era mostrado online e o que era entregue no balcão passou a funcionar como um ativo central da marca, reforçando a confiança do público e a autoridade construída a partir da qualidade dos produtos e da transparência no processo.
O crescimento, no entanto, não eliminou os desafios. A abertura de um segundo ponto comercial trouxe custos elevados, expectativas frustradas nos primeiros meses e forte pressão financeira. Diante desse cenário, os fundadores retomaram a estratégia que havia funcionado na origem do negócio: presença constante, comunicação transparente e fortalecimento do relacionamento com a comunidade construída ao longo do tempo.
Hoje, a Baudelaire Cookies mantém filas frequentes, alto engajamento digital e uma base fiel de clientes, sustentando um modelo que não promete atalhos nem esconde os bastidores da operação.
Uma história que ecoa no setor
A trajetória da marca foi uma das histórias apresentadas na Conferência Brasileira de Confeitaria, realizada em Curitiba no último dia 26 de janeiro, e idealizada por Alyne Mundt, fundadora da Feito Chocolate. Inspirada no formato TED Talks, a conferência reuniu profissionais do setor para discutir, além das técnicas, temas como gestão, posicionamento de marca, inovação, tecnologia e os desafios reais da confeitaria profissional no Brasil.
Com apoio de fornecedores como Barry Callebaut, IRCA Group, BlueStar e Master Martini, a Conferência Brasileira de Confeitaria se consolida como um espaço de troca qualificada e aprofundada. Com a segunda edição já prevista para 2027, o evento é voltado a negócios que buscam crescimento sustentável, estrutura e visão de longo prazo no setor.

Nenhum comentário:
Postar um comentário