segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Como a confeitaria amplia oportunidades de renda em 2026

 

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Durante muito tempo, a Páscoa foi tratada como o principal momento de oportunidade para a confeitaria. Embora siga como uma das datas mais relevantes do calendário, em 2026 o cenário se amplia: o doce deixa de ser apenas um produto sazonal e passa a integrar a economia criativa, o empreendedorismo individual e novas formas de consumo afetivo.

Nesse contexto, a confeitaria se mostra menos dependente de uma única data e mais conectada a movimentos culturais, econômicos e comportamentais. Páscoa, Copa do Mundo, Festas Juninas e Natal passam a compor um ecossistema contínuo de oportunidades ao longo do ano, sem esgotar o potencial do calendário.

“Quando a confeitaria passa a ser vista como um negócio, e não apenas como uma renda pontual, o calendário deixa de girar em torno de uma única data. O desafio é ajudar as pessoas a enxergarem essas oportunidades e se prepararem para elas”, afirma Jonatas Fróes, gerente de comunicação da Harald, empresa líder nacional em chocolates e coberturas para o mercado profissional.

Páscoa: mais do que ovos, um motor de profissionalização

A Páscoa continua a ocupar a principal porta de entrada dos brasileiros no universo da confeitaria. O aumento no consumo de chocolate, a tradição dos presentes e a alta demanda por produtos artesanais criam um ambiente favorável para geração de renda extra e se consolidam como um  motor de profissionalização.

“Nos últimos anos, a Páscoa passou a funcionar como um momento de aprendizado acelerado. Pessoas que nunca produziram doces começam a desenvolver técnicas, testar preços, entender logística, embalagem, canais de venda e estratégias. O que antes era uma produção pontual passou a ser encarado como uma operação, ainda que temporária, e esse contato inicial com a lógica empreendedora é decisivo para a continuidade do negócio”, explica Fróes.

Ovos recheados, versões autorais e kits presenteáveis ganham espaço, enquanto a pré-venda se consolida como estratégia para organizar a produção e antecipar vendas. Nesse contexto, surgem também propostas, como ovos acompanhados de acessórios para finalização em casa, que ampliam o valor percebido e posicionam o produto como opção de presente.

“O que temos observado é que a Páscoa funciona como um grande laboratório. Quem entra neste período entende rapidamente o funcionamento da operação, aprende a precificar, organizar a produção e vender com mais eficiência. Quando essa dinâmica gera boa lucratividade, fica claro que dá para ir muito além e transformar um negócio pensado apenas para essa sazonalidade em algo rentável ao longo de todo o ano”, complementa o executivo.

Copa do Mundo, “Brazilian Core” e o doce como elo cultural

Em 2026, a Copa do Mundo amplia o calendário da confeitaria e reforça a valorização da cultura brasileira, impulsionada pela estética “Brazilian Core”. Durante o evento, os doces passam a integrar encontros para assistir aos jogos e confraternizações, enquanto produtos com cores, sabores e narrativas nacionais ganham relevância como elementos de identidade e conexão cultural.

“Eventos como este amplificam comportamentos que já estão em curso. O brasileiro consome mais do que um produto; ele consome significado, pertencimento e experiência. Quando a confeitaria entende esse contexto, ela deixa de trabalhar apenas com itens temáticos e passa a criar soluções que dialogam com momentos de convivência. É aí que o doce se torna um catalisador social, com alta recorrência e enorme potencial de adaptação”, analisa Fróes.

Nesse cenário, a oportunidade para a confeitaria está em doces como, brigadeiros, sobremesas individuais, kits compartilháveis e doces pensados para consumo imediato, permitindo volumes menores de venda, mas com alta rotatividade e relevância simbólica ao longo de todo o período do evento.

Festas Juninas: tradição que se expande e se reinventa

Historicamente associadas ao Nordeste, as Festas Juninas passam por um processo de expansão e ressignificação e, em 2026, se consolidam como um dos ciclos culturais mais relevantes do calendário brasileiro. Esse movimento amplia o espaço da confeitaria, que deixa de atuar apenas com receitas tradicionais e passa a incorporar releituras contemporâneas e produtos desenvolvidos para venda unitária ou em kits.

Ingredientes clássicos como milho, amendoim, coco e chocolate seguem como base, aplicados em propostas que priorizam praticidade e apelo visual. A duração prolongada das Festas Juninas, que se estendem por semanas e frequentemente ocupam junho e parte de julho em algumas regiões do país, favorece o planejamento e a escalabilidade da produção, especialmente para pequenos e médios produtores.

“As Festas Juninas são um exemplo claro de como a tradição pode se transformar em oportunidade de negócio quando é lida com profundidade. Não se trata apenas de repetir receitas típicas, mas de entender o contexto cultural, o tempo estendido da celebração e o comportamento de consumo associado a ela. Se apropriando desse ciclo, a confeitaria deixa de operar por pico e passa a trabalhar com constância, recorrência e planejamento”, aponta o executivo.

Natal: o doce como presente possível em um novo contexto de consumo

No Natal, a confeitaria ocupa um espaço cada vez mais estratégico no consumo brasileiro. Em um cenário de poder de compra pressionado, doces e sobremesas artesanais passam a ocupar o lugar de presente. Kits, porções individuais e produtos personalizados,  atendem a uma necessidade prática: presentear mais pessoas com orçamento limitado, sem abrir mão do significado da data. Esses formatos também se adaptam a diferentes contextos sociais, ampliando o alcance e a circulação dos produtos.

“O Natal é um retrato muito claro de como o consumo no Brasil vem se transformando. Mesmo quando o orçamento aperta, as pessoas não deixam de celebrar, mas passam a buscar soluções que carreguem afeto e o doce artesanal atende exatamente a isso. Para a confeitaria, isso significa um reposicionamento importante, sair da lógica do excedente e entrar no território do presente pensado”, afirma Jonatas.

Nesse contexto, o planejamento ganha protagonismo. A antecipação da produção, a definição de portfólio e a comunicação das ofertas permitem que a confeitaria transforme o Natal em um período de alta relevância não apenas em volume, mas em construção de relacionamento com o consumidor. 

O calendário da confeitaria

Datas como Dia das Mães e Dia dos Namorados seguem relevantes por mobilizarem consumo afetivo e presentes personalizados, enquanto celebrações como o Halloween, já incorporado de forma consistente ao varejo e às redes sociais, abrem espaço para criações autorais, apelo visual e alto engajamento. Além disso, eventos, como formaturas, festas temáticas, ativações de marca e encontros informais, ampliam as possibilidades de atuação da confeitaria ao longo de todo o ano, mesmo fora das datas tradicionais.

“O brasileiro sempre foi extremamente criativo e adaptativo. Quando esse repertório se alia ao planejamento e à leitura de longo prazo, o resultado é um negócio mais consistente. Quem consegue se antecipar, entender o calendário como um fluxo contínuo e criar soluções para diferentes momentos do ano passa a aproveitar oportunidades que vão muito além das grandes sazonalidades”, conclui Jonatas.

harald@4in.ag

 

 

 

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