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A arquitetura deixou de ser apenas funcional em projetos comerciais e assumiu o papel de criar experiências. No caso de um bar de vinhos, o objetivo não é apenas agradar ao paladar, mas também construir uma narrativa e uma atmosfera que envolvam o visitante antes mesmo do primeiro gole. No Vivan Wine Bar, em Balneário Camboriú, as arquitetas Jessica Dauer e Lais Feitosa focaram em proporcionar uma mudança de clima imediata, com uma transição natural do ambiente urbano para um refúgio acolhedor e com identidade própria. Reconhecido pela curadoria de rótulos, o Vivan integra o Star Wine List, considerado o "guia Michelin dos vinhos", reforçando a proposta de excelência que também orienta a arquitetura.
O projeto nasceu a partir de uma vivência na França, país que inspira o conceito do Vivan, desde a escolha dos rótulos até o cardápio. Antes das primeiras ideias, as arquitetas visitaram a região da Borgonha, especialmente Beaune, acompanhadas pelo fundador e sommelier do wine bar, Romero Gaya. As vinícolas que tinham mais significado para Romero serviram de inspiração para o espaço em Balneário Camboriú, sendo decisivas para entender a essência do que deveria ser transmitido.
A jornada também contou com o olhar do fotógrafo João Pedro Varela, que acompanhou o grupo para registrar a essência da viagem. Seus registros foram integrados à arquitetura do bar em pontos estratégicos, como na entrada, no corredor do andar inferior, nos banheiros e na área dos cursos. Para complementar o ambiente, foram trazidos diretamente da Borgonha mapas, quadros originais, livros sobre vinhos e outros objetos de decoração. Mais do que elementos decorativos, essas peças e imagens carregadas de memória transportam a alma da região francesa para o local, reforçando que cada detalhe do espaço possui uma história por trás.
O resultado não é a reprodução literal de uma cave francesa, mas uma interpretação contemporânea dessa atmosfera. “A madeira e os tons quentes criam um ambiente envolvente, os arcos e as curvas do teto conduzem o olhar e dão ritmo ao percurso, a escada helicoidal reforça esse movimento e organiza a experiência dentro do espaço. Ao mesmo tempo, o Vivan tem música, convivência e energia", explicam as arquitetas.
Um dos maiores desafios técnicos superados foi juntar os rótulos de maneira organizada e preservada. Para evitar a saturação visual, a adega foi projetada como uma "biblioteca de vinhos", que expõe mais de 600 rótulos de forma linear e ritmada, garantindo que o vinho tenha o seu devido destaque. Esse cuidado resolveu questões de controle de temperatura e proteção contra a luz, utilizando uma iluminação indireta que valoriza as garrafas sem comprometer sua conservação.
A organização reflete a proposta híbrida entre restaurante, wine bar e espaço de aprendizado. No andar térreo, a cozinha em vidro e o balcão aproximam o cliente da gastronomia de inspiração francesa, enquanto o piso cerâmico assinado por Arthur Casas mantém uma base neutra. A integração entre os dois pisos é suavizada por um paisagismo estratégico. As plantas conectam o mezanino ao salão principal, suavizam o pé-direito duplo e criam uma transição trazendo um toque natural à madeira. No primeiro piso, o espaço dedicado aos cursos de vinho foi planejado com técnica e sensibilidade, possuindo uma iluminação precisa para não distorcer a cor da bebida durante as degustações e um layout flexível. O ambiente mantém a mesma atmosfera do restante do projeto, funcionando tanto para o aprendizado quanto como extensão do restaurante.
Cada detalhe do Vivan reforça sua identidade, desde a iluminação indireta, que convida à permanência, até pequenos gestos, como o revestimento dos banheiros que incorporam discretamente a marca. Do conceito mais amplo ao detalhe mais sutil, a arquitetura do wine bar foi pensada para traduzir o vinho não apenas como um produto, mas como uma experiência cultural e de convivência inesquecível.

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