terça-feira, 20 de outubro de 2026

A foto bonita do prato leva cinco segundos: conheça o trabalho que existe por trás de um restaurante

 

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Um prato chega à mesa, alguém pega o celular, escolhe o melhor ângulo, faz algumas fotos e, minutos depois, aquela imagem pode começar a circular pelas redes sociais. Comidas bem apresentadas, pratos generosos e sobremesas visualmente chamativas se tornaram protagonistas de vídeos e postagens que acumulam milhares — e, em alguns casos, milhões — de visualizações. Mas quanto trabalho existe por trás daqueles poucos segundos de imagem perfeita?

Para a chef Mariele Horbach, CEO e sócia do Grupo Hungry, responsável pelos bares Jobim, em Moema, e Garota da Vila, na Vila Olímpia, a fotografia de um prato representa apenas o último elo de uma cadeia muito maior.

“A foto bonita do prato leva cinco segundos. Para aquele prato chegar bonito à mesa existe uma cadeia enorme de trabalho”, afirma.

Antes de chegar ao celular do cliente, um prato passa por uma série de etapas que dificilmente aparecem nas redes sociais: escolha e compra dos ingredientes, negociação com fornecedores, armazenamento, pré-preparo, treinamento da equipe, ficha técnica, controle de custos, testes, montagem e, finalmente, serviço.

E existe ainda um desafio adicional: fazer com que aquilo que viralizou em uma foto ou vídeo possa ser reproduzido pela equipe de forma consistente. Não adianta um prato ser bonito uma única vez. Em um restaurante, ele precisa chegar com o mesmo padrão à mesa de diferentes clientes, em diferentes dias e horários.

“Você pode ter uma ideia maravilhosa, mas precisa pensar se ela funciona dentro da operação. Tem custo, tempo de preparo, disponibilidade dos ingredientes, equipe e experiência do cliente. A criatividade precisa conversar com a realidade do restaurante”, explica Mariele.

Quando o prato vira conteúdo

As redes sociais também mudaram a relação do consumidor com a gastronomia. O cliente não apenas escolhe onde comer: muitas vezes descobre o restaurante a partir de um vídeo, compartilha a experiência e influencia outras pessoas.

Um prato visualmente marcante pode se transformar em conteúdo espontâneo, gerar curiosidade e levar novos consumidores ao estabelecimento. Para os restaurantes, isso significa que apresentação, identidade e experiência passaram a ter impacto também fora do salão.

Mas, para Mariele, o desafio é não confundir o que funciona na tela com o que funciona na mesa.

“O prato precisa ser bonito, mas não pode ser apenas bonito. Precisa ser gostoso, ter identidade e fazer sentido para o cliente. A gente não pode criar uma comida pensando só na fotografia”, afirma.

Carolfreitas.jornalista@gmail.com

 

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