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Na Rua Braz Cubas, em Belo Horizonte, a Dedé Pães Artesanais tem toldo listrado e um balcão inspirado no fogão a lenha do sítio do padeiro André Gabrich. Na vitrine, croissants de massa laminada, danish de pera com gorgonzola, nozes e mel de aroeira, caracóis de doce de leite com avelã tostada e um brioche amarelo, por causa dos ovos das galinhas de André.
Até aqui, a Dedé vendia uma fornada por semana, avisada por lista de transmissão, e participava de feiras da cidade. A procura levou André à decisão de abrir um ponto fixo, no Anchieta, na região Centro-Sul. Ele aprendeu a cozinhar em casa, com a mãe, Leda, e a avó, Biica, e resume a ideia da padaria numa frase: "Quem cozinha distribui carinho."
Os pães são de fermentação natural e os folhados, de longa fermentação, de até dezoito horas. O pão do Dedé, o da casa, leva três farinhas, uma branca italiana e duas integrais. Há também o 100% integral, o de campanha, com centeio, o de missô e gergelim e a focaccia de alecrim e flor de sal. Os folhados partem do croissant de manteiga. Entre os doces estão o pain au chocolat e o croissant aux amandes, com um toque de laranja. Entre os salgados, o danish de abobrinha com queijo canastra artesanal, o de cebola caramelizada com queijo Juá, de leite cru, do Serro, e o caprese, que não sai do cardápio. As geleias levam frutas do pomar do sítio de André.
A loja funciona de quarta a sábado, até o último pão. "Se é artesanal, vai acabar e não vai ter reposição", diz André. Para o balcão, ele acrescentou produtos de pouco tempo de prateleira, que saem do forno para serem vendidos logo: baguetes e pães em formatos menores, alguns recheados de queijo para comer quente, mais opções de sanduíche para levar e discos de pizza pré-assados, com molho de tomate da casa. O cardápio muda a cada quinzena. Nem todo item está na vitrine diariamente, mas cada um fica disponível durante o período. As novidades ficam para o sábado, dia em que André espera um público com mais tempo. Para o fim do ano, a Dedé oferece panetone de frutas e de chocolate, para retirada na loja. A casa recebeu ouro nas duas categorias em um concurso de panetones de Belo Horizonte, em 2024.
O projeto é da arquiteta Patricia Naves. André, que trabalhou por mais de vinte anos como arquiteto, preferiu ser apenas o cliente. "Ele foi muito claro em deixar que a gente fosse os arquitetos dele", conta Patricia. Mostrou o fluxo de atendimento e as máquinas que pretendia usar e aprovou o primeiro estudo sem ressalvas. A planta recebeu apenas ajustes de alguns centímetros, conforme ele comprava o maquinário definitivo.
O desafio foi o espaço. A produção de André é metódica e pede um fluxo organizado, e o atendimento precisava ser funcional, aconchegante e pequeno. "Esse exercício de aproveitamento do espaço foi o trabalho mais difícil do projeto", diz a arquiteta. Para ela, "o bairro estava precisando da padaria", e a fachada foi desenhada para fazer da loja um ponto de referência na região. "Ela é elegante, mas não é discreta."
O fogão que inspirou o balcão e a vitrine é de cimento vermelho e fica no sítio de André, onde ele cuida das galinhas e cozinha nos momentos de descanso. A equipe sabia da importância dele na vida do padeiro, e Patricia descreve o desenho como quase uma homenagem. Ao ver a proposta, André ficou tocado.
Serviço
Dedé Pães Artesanais
Rua Braz Cubas, 114, Anchieta, Belo Horizonte
Quarta a sexta, das 10h às 18h. Sábado, das 9h às 13h, ou até o último pão
Instagram: @dede.paes.artesanais
Valores de referência: pão do Dedé (550 g), R$ 36. Baguete tradicional (300 g), R$ 18. Croissant, R$ 16. Folhados, de R$ 20 a R$ 28. Panetone de frutas, R$ 150, e de chocolate, R$ 160 (valor promocional).

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