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André Gabrich passou mais de vinte anos à frente de um escritório de arquitetura voltado a licitações públicas. O trabalho rendeu prêmios, entre eles o reconhecimento pela requalificação de uma área tombada do centro de Salvador. Mas nos últimos anos a rotina virou relatório, análise de contrato e mediação de conflito entre agentes públicos. Foi nesse ponto que decidiu se dedicar à cozinha, onde sempre sentiu mais prazer.
André não tem formação em gastronomia. Aprendeu observando, desde criança, dentro de casa. Quem ensinou os primeiros passos da panificação foi o próprio marido, médico de formação, que já fazia pão em casa. Depois, André fez um curso com a arquiteta e padeira Renata Rocha, fundadora da Albertina Pães Especiais, para aprender novas receitas. Completou a formação com o padeiro Furtini, que ensinou brioches, e com a padeira Jessica, que ensinou folhados e panetone.
A virada veio depois de seis meses de testes com uma receita de croissant. Toda semana, o resultado ia para um grupo de degustação. Uma amiga perguntou se podia divulgar a venda dos folhados entre conhecidos. Antes de uma resposta, a encomenda já passava do que André conseguiria produzir no forno de casa, com a massa laminada à mão e sem equipamento profissional. Dali em diante não houve retorno à arquitetura.
O nome da marca nasceu de forma espontânea. Na busca por um nome que aproximasse o cliente da cozinha, a afilhada de André, então com oito anos, sugeriu Pão do Dedé. Desde então, o apelido identifica tanto o pão quanto o próprio André.
