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Todos temos aquele prato que traz conforto só de sentir o cheiro. Pode ser o bolo de cenoura com cobertura de chocolate da avó, o pão com manteiga na chapa da mãe ou até aquele brigadeiro de colher com as amigas. Esse tipo de comida, que abraça a gente por dentro, é o que chamamos de comida conforto, e ela é a base da culinária afetiva.
Essa cozinha com sentimento é feita de emoções, lembranças e laços que se formam ao redor da mesa. Não se trata apenas do sabor, mas do que aquela receita representa: uma tradição de família, um momento de carinho ou até uma saudade boa de algo que já passou. Ela mostra que cozinhar vai além da técnica, é também sobre memória.
Quem não se lembra do icônico filme Ratatouille da Pixar? O carrancudo crítico de restaurantes amolece ao provar o prato culinário que deu nome ao filme. Ao colocar uma garfada na boca, ele é levado novamente à cozinha de sua mãe quando era pequeno. Essa é uma boa ilustração da ativação de uma memória afetiva.
Mais do que alimentar o corpo, certos sabores ou aromas têm o poder de nos levar para momentos especiais da nossa vida. Um simples aroma pode trazer à tona lembranças da infância, das férias em família ou de um almoço de domingo. É como se cada receita carregasse histórias e sentimentos guardados no tempo.
