terça-feira, 11 de agosto de 2026

Chicago antecipa o futuro dos restaurantes brasileiros

 

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Depois de um 2025 em que o setor de alimentação fora do lar movimentou cerca de R$ 495 bilhões no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), empresários entram no segundo semestre de 2026 diante de um desafio que tende a definir o desempenho até o fim do ano, atender um aumento da demanda sem ampliar na mesma proporção os custos operacionais. O calendário concentra datas estratégicas para o setor, como Dia dos Pais, Black Friday, confraternizações corporativas e festas de fim de ano, enquanto a dificuldade para contratar mão de obra qualificada e a pressão sobre as margens continuam entre os principais obstáculos da atividade.

Foi nesse contexto que a edição de 2026 da NRA Show, realizada em Chicago, ganhou importância para empresários brasileiros. Considerada a maior feira de foodservice e hospitalidade do Hemisfério Ocidental, o evento reuniu mais de 55 mil profissionais de 112 países, cerca de 2.300 expositores e mais de 900 categorias de produtos, apresentando tecnologias e modelos operacionais que começam a redesenhar a gestão de bares e restaurantes em todo o mundo.

Entre os grupos presentes estava uma delegação de 40 empresários liderada por Marcelo Marani, fundador do DONOS DE RESTAURANTES. A missão reuniu proprietários de operações independentes e executivos de grandes grupos nacionais, como a Zamp, responsável pelas operações de Burger King, Popeyes, Starbucks e Subway no Brasil. Ao todo, aproximadamente 740 brasileiros participaram da feira, formando a maior presença nacional já registrada no evento.

Segundo Marani, acompanhar de perto o desenvolvimento dessas tecnologias deixou de ser uma oportunidade para se tornar uma decisão estratégica para quem pretende crescer nos próximos anos.

"O ciclo de inovação está cada vez mais curto. Quem conhece essas soluções antes de elas chegarem ao mercado brasileiro consegue planejar investimentos, adaptar processos e tomar decisões com muito mais segurança. A vantagem competitiva passa a ser construída meses antes de a tecnologia se popularizar."

O acesso que normalmente não faz parte da feira

Além da programação oficial da NRA Show, a delegação participou de uma agenda exclusiva de visitas técnicas e encontros com empresas que hoje lideram o desenvolvimento de tecnologias para o foodservice.

Um dos principais compromissos aconteceu na sede da Middleby Corporation, fabricante que reúne mais de 100 marcas globais de equipamentos para cozinhas profissionais. A visita ocorreu antes mesmo da abertura oficial da feira e permitiu que os empresários brasileiros conhecessem projetos ligados à automação, eficiência energética, inteligência operacional e aumento da produtividade que ainda estão em expansão internacional.

Na avaliação de Marani, esse tipo de acesso permite compreender não apenas quais equipamentos estão sendo lançados, mas principalmente quais problemas a indústria está tentando resolver.

"As grandes fabricantes estão direcionando seus investimentos para questões que também desafiam os restaurantes brasileiros, como escassez de mão de obra, aumento dos custos operacionais e necessidade de produzir mais com equipes menores."

A programação também incluiu encontros promovidos por empresas como iFood, Middleby e Rational, fabricante alemã especializada em equipamentos para cocção profissional, aproximando empresários brasileiros dos executivos responsáveis pelo desenvolvimento dessas soluções.

O que deve chegar primeiro aos restaurantes brasileiros

A inteligência artificial apareceu como um dos principais temas da edição deste ano da NRA Show. Em vez de substituir profissionais, as novas soluções buscam automatizar tarefas repetitivas, antecipar demandas e reduzir desperdícios, permitindo que as equipes concentrem esforços na experiência do cliente.

Entre as tecnologias que começam a ganhar espaço estão sistemas capazes de prever a demanda diária, equipamentos inteligentes para produção automatizada, integração entre cozinha, estoque e vendas em tempo real, além de plataformas que utilizam dados para apoiar decisões de compra, precificação e operação.

Durante a missão, os empresários também visitaram restaurantes em funcionamento em Chicago para observar como essas ferramentas vêm sendo incorporadas à rotina das operações.

O que muda para empresários e consumidores

Para os empresários, a principal expectativa é aumentar a produtividade sem ampliar a estrutura operacional. O uso de automação, inteligência artificial e sistemas integrados pode reduzir desperdícios, melhorar o controle de estoque, diminuir erros operacionais e ampliar as margens em um setor tradicionalmente pressionado por custos elevados.

Já para o consumidor, os impactos tendem a aparecer na experiência dentro do restaurante. Processos mais eficientes significam menor tempo de espera, pedidos com menos falhas, cardápios mais personalizados, maior disponibilidade de produtos e operações mais consistentes mesmo nos períodos de maior movimento.

"Quando um restaurante ganha eficiência, quem percebe primeiro é o cliente. A tecnologia não substitui hospitalidade. Ela elimina desperdícios, melhora processos e permite que a equipe dedique mais tempo ao atendimento e menos às tarefas operacionais", afirma Marani.

Segundo semestre será decisivo para o setor

Na avaliação do especialista, os próximos meses servirão como um laboratório para empresas que pretendem chegar mais competitivas a 2027. Datas de grande movimentação costumam evidenciar gargalos operacionais que passam despercebidos durante períodos de menor demanda.

"As datas comemorativas aumentam o faturamento, mas também expõem as fragilidades da operação. Quem aproveitar este segundo semestre para investir em gestão, processos e tecnologia tende a encerrar o ano mais eficiente e iniciar o próximo ciclo em vantagem competitiva", afirma o CEO.

Mais do que acompanhar tendências internacionais, a missão organizada por Marani buscou aproximar empresários brasileiros dos ambientes onde parte das decisões que moldam o futuro do foodservice começa a ser discutida. Em um mercado que combina crescimento da demanda com pressão permanente sobre custos e mão de obra, conhecer essas mudanças antecipadamente pode representar a diferença entre apenas acompanhar o setor ou liderar sua próxima fase.

 

 

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