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Durante décadas, tomar um coquetel autoral significava sentar-se ao balcão de um bar e acompanhar o trabalho do bartender. Era ali que técnica, criatividade e hospitalidade se encontravam para transformar uma bebida em experiência. Hoje, essa relação começa a mudar. Impulsionado pelo amadurecimento do mercado de drinks prontos (Ready-to-Drink – RTD), o consumidor passa a buscar mais do que conveniência: procura bebidas capazes de entregar qualidade, identidade e a experiência da coquetelaria em diferentes ocasiões de consumo.
A mudança acompanha um novo comportamento do público. Receber amigos em casa, investir em experiências gastronômicas, organizar eventos menores ou oferecer um serviço mais sofisticado em hotéis e restaurantes tornou-se cada vez mais comum. Nesse cenário, cresce a procura por soluções que conciliem praticidade e qualidade, permitindo que coquetéis elaborados façam parte de ambientes antes distantes da cultura dos bares especializados. Segundo a consultoria internacional IWSR, a categoria de RTDs vive uma nova fase de crescimento, impulsionada pela demanda por bebidas premium e receitas mais sofisticadas. Já a Euromonitor International aponta o Brasil como um mercado promissor para produtos que unem conveniência e valor agregado.
Na prática, essa transformação amplia as possibilidades da hospitalidade. Restaurantes que não contam com uma operação completa de bar, hotéis, buffets, empresas de eventos e até anfitriões de encontros particulares passam a incorporar coquetéis autorais como forma de oferecer uma experiência mais completa aos seus convidados. A proposta não é substituir o bartender, mas levar parte da experiência construída por ele para novos contextos de consumo.
"Durante muito tempo, a boa coquetelaria esteve restrita aos bares especializados. Hoje percebemos que as pessoas continuam valorizando essa experiência, mas também querem levá-la para outros momentos da vida. Um jantar em casa, uma recepção em um hotel, um casamento ou um evento corporativo também podem oferecer um drink de qualidade. O objetivo não é substituir o bartender, mas ampliar as possibilidades de onde essa experiência pode acontecer", afirma o bartender Augusto Swaiger.


