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A 18ª edição da Brasil Brau encerrou suas atividades ontem, no São Paulo Expo, consolidando-se como o principal motor econômico e regulatório da cadeia cervejeira da América Latina, ao registrar forte movimentação de negócios e atrair um expressivo público de visitantes. Ao todo, foram mais de 180 marcas e cerca de 8 mil profissionais durante os três dias de evento, além de milhões de reais em negócios gerados.
O encontro deste ano entrou para a história como o marco de encerramento do formato tradicional voltado exclusivamente ao setor cervejeiro. Para acompanhar a rápida evolução do mercado e a consolidação do consumidor híbrido, a promotora GL events Exhibitions confirmou oficialmente a transição estratégica do evento, que passará a se chamar Brasil Brau & Beverage a partir de sua próxima edição, em 2028, abraçando formalmente toda a cadeia produtiva de bebidas.
"Pudemos acompanhar nesta edição a confirmação de uma tendência que já vinha se consolidando nos últimos anos: as fronteiras entre as diferentes categorias de bebidas estão cada vez mais tênues. Compartilhamos desafios, tecnologias, canais de distribuição e, principalmente, um consumidor que transita entre múltiplas opções de consumo. A transição para um novo formato, daqui dois anos, mas que começa agora, reflete essa nova realidade, ao mesmo tempo em que reforça nossa estratégia de posicionar o evento como a principal plataforma de negócios, conteúdo e inovação para toda a cadeia de bebidas", afirma Tatiana Zaccaro, diretora de negócios da GL events.
Alinhamento institucional e visão de cadeia
A
mudança de posicionamento reflete o amadurecimento e a força
macroeconômica do setor. Pela primeira vez, a Associação Brasileira de
Cerveja Artesanal (Abracerva) assumiu diretamente a curadoria do comitê
científico do Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira
(CBCTEC). Com 400 inscritos, os painéis oxigenaram a grade com debates
focados em inteligência de mercado, construção de marcas e canais de
distribuição.
"A Brasil Brau é a feira profissional mais importante do nosso setor e mostrou sua força qualitativa, com estandes de insumos permanentemente lotados. A cerveja gera negócios, arrecadação e empregos, e este evento prova que precisamos olhar para o setor como uma cadeia produtiva que se destaca na economia do país", avaliou Gilberto Tarantino, presidente executivo da Abracerva, que considerou o congresso um sucesso irretocável de público.
Tecnologia e eficiência ditam a virada do mercado
Essa
transição para o conceito abrangente de Beverage atende a uma exigência
operacional que hoje une toda a indústria de bebidas: a busca por
flexibilidade fabril, redução de custos e máxima eficiência. Vanderlei
Bauer, proprietário e fundador da StarkBauen, ressaltou no pavilhão que o
perfil dos investimentos mudou drasticamente, exigindo estruturas mais
ágeis. "O mercado mudou bastante, ninguém mais quer gastar cifras
astronômicas para abrir uma estrutura engessada. O caminho hoje passa
por produzir variedades em volumes menores e com forte diferenciação
competitiva", explicou Bauer, que levou para a feira uma nova envasadora
linear de latas focada em flexibilizar a operação de marcas regionais.
A busca por tecnologia que reduza custos com utilidades e perdas no processo foi a principal tônica dos grandes expositores de engenharia. Paulo Schiaveto, diretor de engenharia e operações da NKA Schiaveto, apontou que o atual cenário econômico exige profissionalismo extremo dentro das fábricas. "Para se manter competitivo hoje, o produtor precisa olhar para o rendimento da matéria-prima e para a sustentabilidade. Desenvolvemos soluções de automação focadas na redução drástica do consumo de água e vapor, porque entregar uma tecnologia que baixa o custo por litro mantendo a qualidade é a única garantia de sobrevivência a longo prazo em um mercado concorrido", defendeu Schiaveto.
Otimismo comercial e a experiência na ponta final
O
reflexo direto dessa busca por modernização foi o balanço positivo nas
transações comerciais no chão de feira. Para Patrick Banwart, gerente da
divisão de bebidas da Globalfood, a edição superou as expectativas ao
registrar uma retomada expressiva nas intenções de compra. "Sentimos uma
virada muito forte na intenção de investimentos. O estande esteve
lotado todos os dias e geramos muitos projetos que vão se desdobrar nos
próximos meses", celebrou o executivo, destacando o interesse do público
qualificado em novas linhas de enzimas e leveduras.
A Memo também colheu resultados imediatos focados em tecnologia aplicada ao ponto de venda e ambiente residencial. "Viemos com o objetivo de apresentar novos lançamentos, como torres automatizadas por aplicativo. Conseguimos cumprir as metas, tivemos grandes vendas na feira e abrimos muitas contas novas", destacou Lucas Cavalin, diretor comercial da marca.
Toda essa sofisticação técnica das fábricas e distribuidoras encontra o seu gargalo no momento do serviço. "Não basta apenas o líquido ser excelente; o ritual de serviço precisa ser perfeito, e o copo adequado faz parte dessa estratégia de branding. O grande desafio do varejo hoje é equilibrar essa necessidade de elegância com produtos de alta durabilidade, que aguentem o giro pesado dos estabelecimentos sem comprometer o fluxo de caixa com quebras", explica Luciano Dutra, diretor comercial e de marketing da Ruvolo.
Da identidade local às conexões globais
As
discussões técnicas e científicas do CBCTEC deram o fechamento de
contexto ao ecossistema. A abertura da grade de palestras foi marcada
pelo painel "Cervejas brasileiras em evidência: inovação, origem e
impacto cultural", onde a antropóloga Aline Smaniotto (Beberú)
destrinchou o conceito de brasilidade, e Júlia da Motta, Subsecretária
de Competitividade e Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo,
apresentou o impacto financeiro do segmento no PIB paulista.
Complementando a visão prática, Rafael Leal (Caatinga Rocks) e Agenor
Maccari (277 Craft Beer) demonstraram como a utilização de ingredientes
nativos e madeiras brasileiras agregam valor comercial no mercado
global.
O palco do congresso também ganhou contornos internacionais. A sul-africana Apiwe Nxusani-Mawela, mestre cervejeira e fundadora da Tolokazi, evidenciou que a expansão sustentável das marcas depende da habilidade da indústria de abraçar a pluralidade e tendências globais de consumo. No campo estritamente técnico, o venezuelano Roberto Biurrun, da Fermentis, apresentou o projeto global "Superior yeast", focado em avanços de pureza e repetibilidade de leveduras secas ativas em escala comercial. Encerrando a grade científica, o pesquisador belga Tin Kocijan detalhou a palestra "Microbiologia da cerveja e envelhecimento em barril", demonstrando como a ordem de inoculação de microrganismos específicos, como Acetobacter e Brettanomyces, dita a química e o perfil de sabor de cervejas ácidas (sour beers), garantindo uma maturação previsível e consistente para produtos complexos de guarda.
Tendências que unem ciência, tradição e hospitalidade
A
busca por experiências mais sofisticadas e pela valorização da cultura
cervejeira também foi um dos principais destaques do CBCTRENDS, espaço
dedicado à apresentação de tendências, conceitos e oportunidades de
negócio dentro do setor. Ao longo dos três dias, especialistas do Senac
abordaram temas que combinaram conhecimento técnico, experiência
sensorial no consumo hospitalidade, reforçando o movimento do mercado de
ampliar sua proposta de valor para além da bebida.
A programação incluiu discussões sobre os fundamentos científicos das harmonizações entre cervejas e alimentos, uma imersão no universo das Lambics – tradicionais cervejas belgas de fermentação espontânea – e reflexões sobre como hospitalidade, turismo e storytelling podem transformar o ato do consumo numa experiência capaz de fortalecer as marcas e ampliar o engajamento dos consumidores. Conduziram as palestras, respectivamente, o especialista Carlos Henrique Braghin, e os sommeliers Fábio de Faria e Souza Campos e Fernando Marcos de Oliveira.
Votação popular consagra os destaques da edição
O
encerramento da Brasil Brau 2026 também revelou as marcas vencedoras
das prêmiações do evento, escolhidas por votação dos visitantes através
do aplicativo oficial. Na categoria Inovação, a vencedora foi a Prozyn. A
companhia trouxe como novidade para o evento uma cerveja zero carb e
sem glúten feita com as soluções enzimáticas próprias AttenuMax Zero,
ClearMar Pro, MatuFest e NatuFoam. Julia Browne, gerente de marketing,
celebrou a conquista: "Estamos com a Brasil Brau desde o início.
Ampliamos a metragem esse ano para as pessoas ficarem mais confortáveis,
com a ideia de acomodar todos bem".
Já a categoria Sustentabilidade foi para a Globalfood. Antes da apuração, Patrick Banwart já detalhava como as soluções da empresa se alinhavam perfeitamente à categoria: “temos produtos que atuam na redução de consumo de energia para as cervejarias. Isso também acarreta uma redução da questão logística, que se traduz em menores estoques, transporte e espaço de armazenamento, já que há produtos mais concentrados. Todos esses fatores colaboram significativamente para o menor consumo de combustíveis.”
Por fim, a categoria Destaque, última e mais importante do evento, foi conquistada pela Memo, que se destacou no pavilhão ao apresentar diversos produtos inovadores. O protagonismo ficou por conta da nova chopeira Hug, que descongela entre 5 e 7 minutos. "O foco nesse ano foi não só levar novidades, mas coisas boas. Tenho muita confiança no que conseguimos realizar com a Hug, que resolve diversos problemas em um único produto”, afirma Victória Cavalin, estrategista de mídias sociais da marca. “Aqui no stand tivemos a nossa chopeira congelada de ponta-cabeça, o que foi um tremendo sucesso. A cada momento que olhávamos, víamos nosso stand 100% cheio”, completa.
sejaopa.com.br

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