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A Organização Mundial da Saúde (OMS) caracteriza a insegurança alimentar como a condição vivida pelas populações que não possuem acesso permanente ou temporário a alimentos próprios para o consumo, contexto vivenciado por mais de 2 milhões de brasileiros em 2022. Esse cenário, gerado principalmente por questões econômicas, se torna, em conjunto, um agravante de uma crise sanitária envolvendo a intoxicação alimentar, que causa a morte de mais de 600 mil brasileiros por ano, segundo estudo realizado pela OMS em 2024.
O nutrólogo Plínio Cesar, que atende no Centro Clínico do Órion Complex, em Goiânia, explica que o leite ou derivados contaminados, destacando o leite cru, sem a pasteurização é um dos maiores vetores de infecções alimentares. “Consumir essa classe de alimentos sem o devido manuseio pode gerar doenças como tuberculose, brucelose, listeriose, salmonelose, campilobacteriose, hepatite A ou E”, explica o doutor.
Popularmente, o leite cru é visto como mais saudável em relação ao leite longa vida. Porém, é importante saber que mesmo após o ritualístico processo de fervura antes do consumo do leite in natura, o risco de contaminação ainda existe a depender das condições de armazenamento.
O processo de envase do leite longa vida também é conhecido como UHT, uma abreviação do inglês para ultra-high temperature, ou seja: tratamento do leite com altas temperaturas. Na Marajoara Laticínios, indústria alimentícia do interior de Goiás, em Hidrolândia, com mais de 30 anos de história, o leite in natura é recolhido de produtores rurais parceiros e armazenado em tanques com isolamento térmico. Imediatamente após a chegada do leite, uma amostra do carregamento é submetida à testagem de qualidade.

